domingo, 20 de novembro de 2011

A Verdade Por Trás do Morro

Este não é um relato de um diário. Não é auto-biográfico - pior se fosse. É o retrato da vida de um ingrato, um mal amado, um maltrapilho e um bem humorado rapaz. Seu nome: João Lucas. Talvez o designe como João, outras vezes Lucas ou ele ou aquele ou o protagonista desta miúda novela - pelo bem da leitura. Talvez, ao decorrer dos próximos parágrafos, não me refira a ele de maneira alguma.
Isso por que não merece ser citado por mais de que um mero parágrafo introdutório. Não é estrela, não é ator de cinema, nem é artista. Apenas um rapaz favelado que perdeu a virgindade aos 8 anos de idade - estuprado pelos colegas mais velhos, pela vida e por sua própria natureza.
O primeiro trago se deu aos 11. Não por intermédio de seus vizinhos traficantes, que controlavam a maior boca do morro e mandavam em todo o pedaço. Havia sido dentro de casa mesmo, com um mal matado baseado que o pai havia, desajeitadamente, deixado em um canto escondido (quase tão escondido quanto todos os outros) do piso de barro batido do barraco em que morava.
Acendeu, puxou, segurou. Deixou que aquela dose gasosa de felicidade se consumisse por entre suas entranhas e atingisse um lugarzinho em sua mente que outra coisa jamais havia atingido - mesmo depois de tantas porradas, xingamentos e humilhações. Deixou-se recostar na parede, de pé, e ficou por ali mesmo, extasiado. Abriu um sorriso completamente gratuito e sem sentido às paredes de seu deteriorado casebre.
Desde então, toda a sua vida foi assim: vivendo dos restos de felicidade alheia. A primeira namorada, aos 13, a mulher mais gorda e feia de toda a marginalidade, havia restado só aos cacos de toda a experiência que - aos trinta e um anos de idade - acumulara das fodas que já tinha dado. Todos os brinquedos e pertences, o que inclui a velha mobília e o .38 enferrujado: herdados do irmão mais velho que mal conhecia. Os gols nas peladas de sábado, as doses amarguradas da cachaça do bar da esquina, os resquícios das notas de velhos violões roubados, dados ou emprestados.
João Lucas. Nunca ladrão, nunca estuprador, nunca assassino. Talvez quase nunca. Talvez tenha sido por um fiozinho de nada. O mesmo fiozinho de nada que separava a ejaculação intra-vaginal de seu velho pai em sua mãe pré-adolescente - que, nesse caso, não aguentou.
Agora já tem quase 30 anos e é um jovem feliz. Não sabe mais do que precisa, não xinga, nem se lastima e nem murmura de sua ingrata vida menos do que precisa

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Eu Só Cumpro Ordens

Porra! Esse é o típico discurso de quem não sabe o porquê de porra nenhuma. Pra começar, não sabe o porquê de estar fazendo o que faz - o que já é mau pra caralho. Pra terminar, não sabe o porquê de estar vivendo. O pior de tudo é que as mazelas não param por aí.
Um tiro na cabeça de um inocente, uma indelicadeza filha da puta com qualquer bom cliente ou um empurrão nas filas, nos protestos e nas outras oportunidades de levar um empurrão que temos nesta vida - que não são poucas pra quem vive de verdade. A desculpa: "eu só estou cumprindo ordens". Ah! Vai à puta que pariu!
Ordens de quem? Do gerente. O gerente cumpre as ordens do presidente, o presidente cumpre as ordens do dono, o dono cumpre as ordens de Santa Maria, Santa Maria, coitada, cumpre as ordens do bom Jesus Cristo e o filho de Deus cumpre as ordens de seu Pai (que, excepcionalmente, inicio com maiúscula). 
Então, é aí que a gente pára com essa insanidade? Nesse tênue e miraculoso ponto onde nada nem coisa nenhuma tem explicação? Por que simplesmente não parar de ficar jogando a bola pros outros e começar a pensar um pouco? Começar a se perguntar: o quê estou fazendo? E, muito mais importante: por quê diabos eu estou fazendo isto? Não é lá muito complicado.
Se você não encontrar A RESPOSTA do PORQUÊ, se deprima. Busque mais um pouco - só pelo inexplicável otimismo que cada um de nós possui. Leia uma literatura taciturna e deprimente - a mais intensa, nesses dois quesitos, que você encontrar. Tente mudar. Mas, antes de mudar, pense no porquê de você mudar e no porquê da "coisa" pela qual você está mudando. Se não conseguir, o suicídio é sempre uma opção.
Eu espero que você se foda.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Estética do Cotidiano

A maioria das pessoas, atualmente, vive apenas de aparência. Eis o motivo de se precisar tanto de psicólogos, remédios pra dormir e livros de auto-ajuda. Não é chato sustentar relacionamentos, admiração alheia e o próprio bolso através de superficialidades tais quais a beleza, o dinheiro ou uma prolixidade erudita dos infernos. Mas tem seu preço.
O mundo (ou a maior parte dele) é, hoje, um lugar triste como é por que as pessoas perderam a capacidade de se contentar com a beleza simples, o prazer bucólico e outras coisas - que são as que realmente importam. Genericamente, só agrada aquilo que é muito bonito, muito caro ou muito complexo - preferencialmente, as três coisas juntas. Tá aí. Revelado o grande mistério de sua desgraçada infelicidade.
Você tem as pernas, os braços e a cabeça no lugar (anatomicamente falando) - só não pensa nem faz nada de útil a não ser se lamentar por não ser uma pessoa rica, bonita e amada pelo galã da novela das... oito? Nove? Sei lá. A que você mais gostar. Isso tudo nos revela muito mais: é por isso que a cobradora de ônibus é uma mazelada que merece ir para o inferno (junto com o motorista), a garçonete - apesar de gostosa - é uma filha da puta arrogante e sisuda que merece ir para o inferno e o taxista miserável e salafrário é um desgraçado que merece ir para o inferno. Parei com relatar os condenados ao inferno - Deus que se vire com isso.
Às pessoas que inspiraram o parágrafo anterior: espero que o inferno exista mesmo. Vocês vão todas pra lá! Para o INFERNO! Acho que ainda não vai ser muito. Bem que vocês não merecem nem o traquinar dos neurônios a imaginar um tormento pior que o inferno - digno de suas sentenças.
São raras as pessoas que dão o troco sorrindo, dão bom dia de bom grado e esperam, cedem o lugar, têm paciência, balançam a bundinha com felicidade, sorriem por pura falta do quê fazer. Sorrir é legal. São essas as pessoas responsáveis pela parte do mundo que ainda não é triste, mal cheirosa e completamente banal. Digo, a infelicidade é banal, machucar os outros é banal, ser o melhor do mundo em dar foras / cortadas é banal pra caralho. PRA CARALHO.
Tudo bem. Não guardo rancor, nem ódio, nem desânimo. Esses são sentimentos muito ruins. Não é que eu seja bonzinho, não. É por puro egoísmo mesmo - pra não fazer mal a mim. Também por que eu ou você ou as igrejas ou as estudantes malucas de sociologia podemos querer justificar as mazelas alheias: falta de dinheiro, falta de amor, falta de carinho, falta de pênis, falta de sexo, falta de família. Sendo assim, que razão eu tenho pra mandar todos esses condenados pro inferno? Eu sou um filho da puta gordo e barbudo que estuda o que quer estudar na melhor universidade do estado, come comida da boa, enche a cara de vez em quando e ainda fica maldizendo a infelicidade alheia na Internet.
Tudo bem: não guardo rancor, nem ódio, nem desânimo. Mas isso não altera o fato de que vão pro inferno. Vão pro inferno. E se você for infeliz, vá pro inferno você também. Vai pro inferno.

domingo, 11 de setembro de 2011

Diálogos Humanóides

- Boa noite.
- Boa noite! Tudo bem?
- Tudo. Você está com bafo de bêbado.
- Eu sou um bêbado.
- Você não parece um bêbado.
- Você acabou de dizer que eu tenho bafo de bêbado.
- Eu não disse que você tem bafo de bêbado.
- E o que você disse?
- Eu disse que você ESTÁ com bafo de bêbado.
- Mas talvez isto seja por que eu TENHO bafo de bêbado.
- Talvez, apenas. Momentaneamente. Você parece um cara legal.
- Você tá falando sério? Mesmo com essa barba?
- Sério. Mesmo com essa barba, com esses músculos, com esse jeito.
- Que jeito? Jeito de bêbado? Você quer dizer jeito de bêbado!
- Não. Esse jeito. O jeito de quando você está sóbrio.
- Ah, então tá. É difícil mesmo ser legal quando eu estou sóbrio.
- Você é mais legal quando está bêbado do que quando está sóbrio?
- Sou, sim. Com exceção do bafo de bêbado. Quer experimentar?
- Como assim experimentar? O que você quer dizer com experimentar?
- Ué, assim, experimentar. Subir lá no meu quarto e me deixar meter entre suas pernas.
- Você não está só com bafo de bêbado. Você está mesmo bêbado.
- Mas isto é mais legal de que quando estou sóbrio, não é?
- É.
- ...
- ...
- Então vai lá. Tira a roupa e vai lá.
- ...
- Pode ir de roupa, se quiser, também.
- ...
- Deixa que eu tiro sua roupa.
- ...
- Bem, boa noite.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Talk Show

Foi em uma das minhas idas e vindas entre Recife e Petrolina. Sentia um frio miserável: não estava preparado para aquela tormenta - trajava apenas uma bermuda e um camiseta. Por sorte, havia um jaquetão em minha bolsa que, logo após o primeiro calafrio nervoso, peguei e vesti. Não adiantou muito. Os músculos começaram a se debater como se quisessem saltar fora àquele corpo completamente gélido e quase sem esperanças de encontrar uma gostosa que me visse sentar ao lado - ou no colo, quiçá.
Aquele combate pavoroso contra o frio pela sobrevivência continuou por longos minutos até que o ônibus parou. "Minha salvação", pensei. Mas estava enganado. Como muitas vezes me enganei por essas estradas. Era só mais uma vez. O local da parada era Arcoverde - um cidade tremendamente fria, pelo menos àquela madrugada de meio de ano.
Desci e a tremedeira, que pareceu amainar-se por conta dos movimentos rápidos e descompassados, voltou duas vezes pior quando parei e pensei no que fazer. Meu cérebro estava lento - o que era bastante compreensível àquela temperatura. Decidi ir primeiro ao banheiro. As musculaturas de meu corpo continuavam desobedientes mas eu quase que não as sentia mais. Apenas percebia a flutuação estranha e desordenada da roupa, que parecia dançar um balé esquizofrênico. Que diabos! Será que os outros percebiam também? Não gostaria - jamais - de demonstrar fraqueza, frio, tremeliques muito menos.
No banheiro, enquanto mijava, percebi uma rã grudada na parede, perto do vaso sanitário. Por um momento, abalou-me a impressão de que ela a qualquer momento saltaria e grudaria em meu pênis, do mesmo jeito com que se agarrava à parede. Idiotice minha, claro. Aquela rã não era tão estúpida quanto eu. Bem que, àquela temperatura, talvez a parede fosse um lugar friamente inóspito. Pudera meu pau ser mais aconchegante. Não sei. Eu não o sentia.
Tentei lavar as mãos mas a água era como chama viva. Saí do banheiro e fui ao balcão fazer um pedido. Na televisão, um talk show desses impertinentes. O entrevistado parecia alguém muito comum - vestido com uma calça social e uma camisa um tanto menos social que a calça, mas ainda sob os moldes de formalidades aparentemente requisitados. Pedi um pastel e um suco. Não sei por que cargas d'água pedi um suco. Estava tremendo de frio, quase morto. Precisava de um café ou de uma boceta. Precisava de algo quente. Mas pedi um pastel e um suco - meu cérebro, definitivamente, não estava funcionando adequadamente. O salgado estava mais frio que o suco. Sentei e comi e bebi indiferentemente a tudo - ao frio, inclusive - e a todos - a um velho que parecia perceber minha tremedeira, inclusive.
Ninguém seria capaz de falar nada. Os humanos são assim, frios mesmo quando faz calor. Tenho a impressão de que poderia cair duro (e gelado) ali no meio da lanchonete que todos continuariam suas vidas medíocres como se nada tivesse acontecido. Jazeria, eu, ali, decrépito e sem vida, o ônibus soaria sua buzina apressada, os passageiros entrariam cabisbaixos e tudo voltaria ao normal - se é que tivesse em algum segundo abando a normalidade. Minto: talvez me enterrariam - os nativos, arcoverdenses, claro. Nunca os passageiros. Passageiros estão sempre muito ocupados passando. Não têm tempo nem de dar uma no ônibus.
- Em que você buscou inspiração para escrever esse livro que está lançando pela Editora Quem Lê Vai Para o Inferno?
- Nas coisas de sempre. Na vida e no mundo. Em tudo que há de bom e tudo que há de ruim. E como é engraçado o jeito como as coisas boas coexistem com tantas coisas ruins. Basicamente, o texto do livro trata disso mesmo: notar a mais pura e sutil beleza em tudo em que aparentemente só existem promiscuidade, maldade e feiúra. Por outro lado, ver como são corruptos e desprezíveis alguns aspectos da vida e do mundo em que aparentemente reinam a alegria, o amor e a paz.
- Essa ideia central do livro, se é que eu posso revelar, de o sujeito estar preso em um único dia da semana é algo que eu achei fantástico.
- Não é a ideia central do livro. Você leu? Leu o livro? Não é a ideia central do livro. É apenas um artifício para demonstrar o que era necessário. Além disso, há, no começo, uma parte da estória em que o personagem vive n'um sábado também. De início, isso só ocorreu por que eu não fazia a menor ideia do que é que estava escrevendo mas, depois, acabei gostando de como tudo ficou. Ou gostando mais ou menos. Sabe, há algo de lindo e paternal nisso também: meu pai se chama Domingos. Daí, talvez, a ideia de fazer o personagem viver apenas os domingos. Se bem que não. Trata-se apenas de uma coincidência feliz. Mas tem sempre gente por aí achando que se você faz, pensa ou escreve alguma coisa é por que você viveu determinadas situações na infância ou por que você é virgem ou depravado demais ou por que é louco ou por que é um palerma. Principalmente psicólogos, psiquiatras e gente dessa laia. Tudo bem, eles precisam ganhar o seu pão.
- Hahahahaha. Você é assim o tempo todo? Espontâneo e cheio de ideias? Quero dizer, seu livro é cheio de ideias dessas também mas não é uma autobiografia, certo? Essas ideias fazem mesmo parte de sua vida, do seu dia a dia? Você é assim corriqueiramente?
- De jeito nenhum, só quando tenho alguma exposição ou visibilidade. Preciso ganhar o meu pão, também, n'é? Por falar nisso, quem tiver vontade de ler o livro e não quiser comprá-lo, basta fazer o download na Internet. Eu mesmo disponibilizei o livro em vários fóruns de pirataria e nesses sites de depósito de arquivos, apesar de ele ainda não fazer parte do domínio público.
- Você é o primeiro escritor que vem aqui e faz questão de enfatizar que a pirataria pode ser realizada dessa maneira. Não acha que, assim, está desvalorizando o seu trabalho?
- Sabe, cara, a Internet é algo esplêndido. É quase tão esplêndido quanto uma bunda de mulher, sabe? É algo aterrador e comovente. Quando tudo isso - computadores, Internet e essa tecnologia toda - surgiu, eu já era meio velho e meio antiquado. Mas agora me dou conta de que a Internet é como um rio gigantesco, largo, extenso e profundo que flui sem querer saber se você está jogando esgotos nele, está se banhando em suas águas, mijando nelas ou fodendo dentro dele. Ele só está ali, fluindo e fluindo. A Internet é do mesmo jeito, sabe? Um rio pode ser a fonte de sobrevivência de milhares de famílias do mesmo jeito que pode matar muita gente. Mas eu posso salientar uma coisa: se alguém ler o livro e gostar - ou achar que gostou - e quiser ver outro livro meu publicado - e disponível na Internet também - aconselho que compre ou talvez eu não sobreviva por tempo o suficiente para encontrar outra editora como a Quem Lê Vai Para o Inferno. Aproveito para agradecer ao pessoal da Quem Lê Vai Para o Inferno. Eles são uma bênção divina.
- Tudo bem, mas eu insisto: você não acha que as ideias do livro já são demasiadamente permissivas e libertinas? Isto é, ainda tem que professar essas ideias anti-capitalistas e subversivas?
- Pensei que estivesse conversando com um apresentador de talk show e não com um crítico literário. Sabe, cara, críticos são potencialmente pessoas frustradas. Você, que é um homem do teatro, deve saber que, via de regra, críticos de teatro são atores frustrados. Cuidado por que, se a mesma regra vale para a literatura, você está se declarando um escritor frustrado ao me criticar desse jeito.
- Mas agora não é você quem está me criticando?
- Eu não posso criticá-lo. Nunca li algo do que você escreveu.
"A plateia não vai gostar desse entrevistado", pensei. Estava sempre repleta de dondocas universitárias cheias de frescuras e não-me-toque. Não mesmo. Não era uma plateia dotada desse senso humorístico que transcendesse os vieses artísticos daquele apresentador, que era idolatrado como quase o próprio Deus. Não mesmo. "Estará fadado à morte junto com todos os seus elogios tecnológicos".
O motorista fez soar a buzina do ônibus. Quase tão insuportável quanto o motorista, os passageiros, os atendentes e todos os outros humanos. Quase tão insuportável quanto o frio. Subi cabisbaixo. Nem notei se alguém havia morrido ou coisa parecida. Talvez sim, talvez não. Tanto faz. Estava ocupado demais passando por aquela cidade fria.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dislexia

No sistema capitalista de fodelância desigualitária, a honestidade é uma virtude concedida apenas àqueles que não dispõem de dinheiro ou meios suficientes para se corromper. Essa primeira frase não é nada. Apenas algo que eu tinha em mente desde ontem à noite e precisava registrar em algum lugar, antes que isso fodesse de vez com minha mente.
Sabe, cara, eu amo meu texto. E, de uma maneira ou de outra, eu tenho que buscar um meio de lhe agradar. Não importa o que tenha de fazer: passar a noite em claro, foder mil bocetas, insurgir-me contra o capitalismo - o que quer que seja.
Acontece que eu não sou um exemplo a se seguir. E muitas pessoas - mesmo! - não seguem meu bom senso literário. Elas simplesmente não têm piedade de suas letras descompassadas e imundas que tracejam seus sentimentos mais vãos e inertes - ou inanes (que é a mesma coisa que vãos, que é a mesma coisa que inertes, que se dane). Consequentemente, ferem cruelmente a complacência de quem - teimosamente - insiste em ler alguma coisa - com a última e fugaz esperança de gozar um único "a" ou um último ponto final.
Não dá, cara, não dá. Essa última gotícula de esperança é tão inútil quanto qualquer outra. Os escritores de 140 caracteres nos decepcionam mais que nossos cachorros quando não obedecem a um comando de deitar ou sentar ou dar a pata ou morder o carteiro. É triste. Ainda estou deprimido com a perda (perda, filha da puta! PERDA) do meu último cachorro. Mas hoje reservei meus olhares (e os poupei) das ignomínias e perfídias das redes sociais formadoras de débeis mentais. Tô vivo.
Escuta só (ou leia, se preferir): o meu texto não precisa sentir o fedor da merda que caguei hoje à tarde. Não mesmo. Ele não quer saber se estou triste ou se empolgado com a próxima noite, o próximo dia, a nova amizade. Para o inferno todas essas insignificâncias. O meu texto quer sexo, quer prazer, quer ver as vulvas por debaixo de todas as saias do mundo, quer debochar da tristeza mais banal e insignificante, quer se prostituir nos cabarés mais longínquos e quer dar um pé na bunda mais gostosa que houver neste bundo.
Tudo bem que você erre pra caralho e as garotas teimosas errem pra caralho e que todo mundo erre pra caralho na hora da grafia que não precisa ser nem formal nem completamente coerente nem carece de vírgulas nem de pontos nem de acentuação gráfica nem de professores de português frustrados por não conseguir ser barman ou gigolô nem de professoras frustradas por não conseguirem vender algo além do seu conhecimento patético sobre as regras gramaticais e por virem de uma família humilde e honesta de prostitutas gostosas isto tudo por que eu erro pra caralho também e tenho consciência de meus erros até aqui pode ficar muito certo disso seu crítico cretino mas... PORRA!
Você poderia ter um pouquinho de piedade do seu texto. Pensar nele só um pouco. Ver o pinto do seu namorado, duro, enquanto tenta pensar em algo pra escrever. Sabe? Deslizar esses dedinhos digitadores epilépticos por entre os grandes lábios e arranjar um pouco de inspiração. Desenrolar uma ideia que talvez possa melhorar o mundo ou até mesmo salvá-lo do abandono, do descaso e da crueldade humana. Piscar o seu buraquinho que jaz escondido por entre as suas nádegas e tentar transmitir a sensação através de palavras não é necessariamente uma boa ideia. Mas é melhor - muito melhor! - do que essa porra toda que você tem feito durante toda a sua vida, desde que se alfabetizou, até agora.
Maldição. Peguei um negócio de meter umas exclamações no meio de uns hífenes. Há, moleque! O plural de hífen é hífenes. Sabia dessa? Eu não sabia. Pois é. Talvez isso sirva de alguma coisa, se você não entendeu nada até esta parte do texto - a não ser meus palavrões e minha vontade incontestável de te enrabar.
Algo que me tem incentivado a escrever é a desmotivação. Tenho procurado escrever muito em tudo que tenho escrito - tirando os trabalhos escolares, claro. Muito! Tanto ao ponto de desmotivar qualquer um que ouse ler algo que eu escreva. Não que isso torne meus textos mais completos, complexos ou algo diferente da mesma merda de sempre. Mas uma coisa é certa e garantida por essa prolixidade: se você leu tudo - tudinho, baby - e conseguiu descobrir o SEGREDO por entre essas palavras disléxicas, meus parabéns. Pode se considerar menos são que muita dessa gente que vive contaminando o nosso universo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Estivação III

Todo o mundo supervaloriza demais a porra do amor. Culpa das novelas. Não só delas, mas delas também. Todo o mundo preocupado demais em se safar da tristeza, do ódio e do rancor de uma vida sem amor. Qual é! Não deveria ter começado assim, mas já comecei. O rascunho é salvo automaticamente e dá um trabalho dos infernos ir nas postagens e apagar os rascunhos. Então, como quase dá no mesmo mesmo, deixa assim mesmo.
Acontece quase a mesma coisa com o sexo - que é uma coisa completamente diferente. Os homens agem como se fizessem tudo por uma boceta e as mulheres agem como se os homens agissem como se fizessem tudo por uma boceta. Qual é! É assim mesmo? É assim mesmo. No fundo, no fundo. No fundo das pieguices, dos sistemas financeiros, das universidades e das organizações empresariais. No fundo das cuecas e das saias, das cabeças - desde a mais pura e ingênua à mais pervertida e ninfomaníaca.
Você quer descobrir o que é o amor, né? Está procurando no lugar errado. Pois bem, vou lhe dizer o que é o amor. O amor é um cão dos infernos. O amor é como a névoa matinal que turva a nossa visão e depois se desfaz em pouco tempo. E é, também, um mecanismo biológico de atração para o fim - pura e simplesmente - da persistência da espécie humana.
Felizes são os animais irracionais - que não têm de escrever poesias, cantarolar versos esnobes e ganhar milhões. Felizes eram os homens das cavernas - que só precisavam de uma ereção. Isso - sim! -, isso é amor.
Mas, não, que é isso! O amor tem que ser complexo demais que não caiba na mente de um coitado e o faça sofrer até que se jogue do décimo terceiro andar de um prédio qualquer - que não foi erguido com o intuito do suicídio, diga-se de passagem. O amor tem que ser esse lance, essa química, essa troca de nada com nada que não tem resultado e dá em qualquer um, do nada.
Maldita novela. Maldita arte que faz sentir até aqueles que não têm cocô de galinha nenhum na cabeça. Tá aí: pensei que estivesse digitando um texto completamente negativo e despropositado. Chego, então, num parágrafo que traz uma ideia muito frutífera e feliz - embora continue completamente despropositada. Talvez o amor ocupe bem a mente - ou o coração, a boceta, o rabo ou sei lá o quê - de quem não tem nenhum senso nem qualquer instinto da beleza nua e crua que é a vida.
Tinha mais algumas palavras pra descomer aqui, no meio dessas tantas outras, mas preferi acabar este texto no parágrafo anterior mesmo. E não vou mais continuar com essa porcaria de estivação - que eu não sei nem o que é isso. É, olhei o que era. Desde antes do primeiro texto. Mas tem coisas que a gente não entende a não ser que se queira deixar de teimosia. E eu não quero. Sabe como é.

Estivação II

Algumas pessoas me perguntam o que foi que aconteceu que minha barba está deste tamanho. Oras! Ter vivido a puberdade não é motivo suficiente pra fazer crescerem os pelos? Jesus passou por isso, Tiradentes também, papai Noel também - e mais um monte de gente que alguns duvidam que existiram. É uma pergunta boba, de fato. Mas a intenção é inquietar mesmo. Quando não aterrar.
Às vezes eu vejo uns caras feios por aí - feios mesmo - e penso: "porra. O cara é feio mesmo sem barba. Um coitado". Talvez ele sinta pena de mim também. Espero que sim. Isso me faria sentir menos culpado.
Algumas pessoas não entendem por que eu detesto gatos. Ouvi dizer que gatos são capazes de reproduzir até mil sons diferentes - ou uma quantia dessas - enquanto que os cachorros só são capazes de uns 10. Pra mim, isso não justifica a desconfiança para com os gatos mas sim uma exacerbada superioridade mental dos felinos. Nunca ouvi um gato emitir outro som além de miau ou grrr ou alguns gritos pavorosos. O lance é que esses bichos são traiçoeiros mesmo. Um cachorro pode, aparentemente sem motivação alguma, arrancar seu pescoço ou lhe deixar uma bela marca nas canelas. Mas um gato pode te enrabar assim que você virar as costas, depois de ter passado 2 horas e meia afagando sua cabeça enquanto ele balançava aquele rabinho fingido e escroto. É só esperar.
Gatos são desonestos e cruéis. Inclino-me a achá-los piores até que os próprios humanos.
Às vezes, muito frequentemente, tenho ideias geniais - mesmo! Demais. Pena que elas não durem tempo suficiente pra deixar de ser ideias. Isto é, deixar de ser ideias e se transformar em algo mais consistente, menos volátil. Deixam do pensamento pro... pras cucuias, pro beleléu. Eu poderia utilizá-las pra iniciar vários textos. Textos de verdade, não uma merda feito esta. Pra ficar rico. Pra conquistar as mulheres. Mas, pensando bem, que se dane. É bom que essas ideias virem poeira cósmica mesmo. Ou qualquer outra coisa que eu também não saiba definir.
Já disseram que todo homem nasce um gênio e morre um imbecil. Pois bem. Não vou contrariar algo tão sensato. Como as sabedorias milenares, os dizeres populares, os apócrifos mais bem arquitetados e reconhecidos - que poderiam ter sido criados por imbecis como eu ou como você. Como você, como sua mãe, como sua irmã, como a freira das escolas de freiras, como todo mundo. Nem precisa ser cristão.
Às vezes me dou conta de que todos os humanos são um bando de idiotas - talvez seja uma das minhas ideias geniais. Leia de novo: todos os humanos são um bando de idiotas. Isto me inclui tanto quanto você, sua mãe, sua irmã e todo o mais tipo de gente que existir. E essas pessoas estão por aí dando aulas, apagando incêndios, operando nas bolsas de valores e se prostituindo. Estão criando as leis, ganhando dinheiro, brincando de sistema político ou econômico e escrevendo porcarias em seus blogs por aí afora - recebendo muito mais visitantes, dinheiro, prestígio e bocetas que eu, aliás.
Sacou? Idiotas. Todos. E aí? Tanto faz, não é mesmo? Tanto faz. Tanto fez como tanto faz.

Estivação

Estive pensando em sexo. O que é algo muito comum e corriqueiro. Mas não do jeito libidinoso de sempre e sim com uma perspectiva mais solidária. Estive pensando em opressão - ou repressão. Do próprio direito de existir. Do direito de existir dos outros. O que inclui, claramente, a propriedade da exequibilidade do sexo. Estive pensando nos casais daqui, da casa onde moro. Transando sem poder fazer barulho.
Do mesmo jeito quando eu toco meu violão. Não podemos fazer aquele amor ruidoso - geralmente muito melhor e mais aprazível que o silencioso. Temos que ir devagarinho, a baixo volume, quase calados. A cama, então, nem um único pio! Que se não podemos acordar as paredes, os móveis e as almas que vagam por aí tristonhas - sem querer saber de gemido algum.
Estive pensando que somos todos um bando de filhos de puta. Mas não da mesma puta. Não digo isso de um ponto de vista religioso, não. Somos filhos da puta demais pra ajudar uns aos outros. O negócio é que sempre estamos precisando de ajuda. Mas não nos ajudamos.
Meu cachorro vai pra carrocinha. Mas não é por querer, não. Talvez seja por conta do meu parágrafo anterior. Morto, incinerado, sabão. Não importa muito. Foi o melhor cachorro que já tive. Vai-se assim, desse jeito triste, sem saber o porquê. Sem jamais me ver de novo. Talvez nem lembre, nem se importe. Talvez até goste de não mais existir. Eu me importo.
O mundo é triste e a vida é uma merda sem sentido. Cagada pelos deuses ou por qualquer cagalhão explosivo, que se dane. Continua sem sentido. Não há um intelectual mais fodido do mundo que seja capaz de dar um sentido à vida. Não há um religioso dono da fé mais fodida do mundo que seja capaz de dar um sentido à vida. A fé, a ciência, a razão, a ignorância. Vivem brigando. Que diabos de diferença isto faz? Somos todos um bando de filhos da puta que não enxerga além de nossas próprias vontades, desejos e interesses mesmo. Que se danem o mundo e a vida.
Andar demais, correr demais, trepar demais. É tudo demais ou de menos. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A mais: um não

Não escrevo mais. Não escrevo por que todas essas mentiras são, na realidade, a mais pura realidade. Não escrevo por que não sinto, não vejo, não penso, não falo, não finjo. Não escrevo por que não estou cansado e não estou prestes a viver mais um dia. Não escrevo por que já morri há algumas semanas.
Rabisco estes rabiscos por puros pleonasmos indistintos de uma alma que jaz liquefeita nas mentes dos mais vulgares humanos. Daqueles que pensam que pensam e sabem que sabem mas não sabem - nem tampouco pensam. Na velocidade da fuga. Na vontade da vulva. Transcrevo pensamentos insólitos e indefesos que se desprendem do meu inconsciente voraz e meu insensato consciente.
Releio, com meus míopes olhares, as palavras que teimam em surgir num branco tão límpido e em paz. O branco da tela é tão suave e agradável quando assim - inerte. Mas sou vil. Pecaminoso. Sujo. Teimo em quebrantar a lívida paz que reina no interior desta eletricidade mórbida. Teimo em condenar ao fogo do inferno os meus ledores, meus credores e os meus amores. Só por maldade.
Julgam-me bom, os insensatos. Impuros de coração: perfazem em elogios os seus mais obscuros desejos ao tentarem me persuadir de que não sou o que sou com suas pérfidas palavras de desprezível deleite. Açoitam-me pela poesia, pela prosa e pelas liras. Maculam-me o verso cantado, o falado e o soprado. A bondade dos bons me fustiga mais que a minha própria sanidade.
Poupa-me, Deus de todas as divindades, da bondade, da justiça e da honra que já não existem. Poupa-me deste não. Deste, desse, daquele e de qualquer outro que há de existir nesta frase ou no parágrafo que segue. Se ele seguir.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Foram-Se

Mais um dia acordado, a noite virada. Lendo os meus versos perdidos, dos quais eu não sei qual será o destino. Talvez eles tenham um destino depois que eu me for. Quando a vida me quiser levar, por todos os versos que escrevi. Por toda e cada torrente de palavras que partiram destes dedos de cá, que agora compõem este insone texto.
Foram letras de amor, todas. Algumas, até, um tanto amáveis; outras, amabilíssimas. Ao menos ao meu coração de poeta e piegas. Não sou poeta. Nunca escrevi poesia. Nunca escrevi prosa. Nunca cultuei o amor quimérico, bucólico e platônico. Nunca vi Marília, 'inda menos senti algo por ela.
Foram letras de pavor, todas. Do medo que se sente e é compulsório - ele desencadeia esta frase e a próxima, bem como a anterior. É o medo que se sente que me impulsiona adiante. O medo de sentir medo, inclusive. O medo de sentir, inclusive. E o sentimento do medo, como já dito antes. Como já dito.
Foram letras de maldade, de vida e de morte. Letras malditas. Que não se podem julgar ou classificar, mas que ainda podem ser lidas - atente bem. Ainda é possível pousar as cansadas vistas sobre tais manchas e se sentir maculado por sua sentimentalidade inerente.
Foram letras de criança, de vadia, de moleque. As quais não podem ser criticadas por sua ingenuidade, espontaneidade e credulidade dignas de quem ama pela primeira vez. E ama de novo pela primeira vez. E ama. E, a cada vez, eis que o amor se faz regresso àquele primeiro, sentido pela garota do colégio dos oito anos de idade.
Foram letras de defunto, decrépitas, moribundas. Aqui, creio, não é necessária uma explicação ou definição mais específica para o teor mortífero de minhas letras. Que tal explicação seria completamente sem vida, inane, inerte.
Foram letras de mudança. A cada uma delas, que sucede a outra, que sucede mais uma e mais outra e outra, outra, outra e assim por diante. Palavras sem um começo bem definido - e um fim pior que o começo. Não importa o começo das coisas, mas sim o fim delas. O meio foi sempre tão perdido quanto as outras partes. As frases foram sempre traçadas pelas linhas imaginárias do pensamento. Torpes linhas.
Foram palavras.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Um Certo Alguém

Dificilmente, em nossas insanas vidas, ficamos quase um ano esperando por alguém que há de chegar. A ânsia pelo primeiro encontro cresce com o passar do tempo. O momento tão esperado é sempre imprevisível e incerto - tanto quanto qualquer outra coisa. A realidade é real? Imprevisibilidade, incerteza e realidade não importam quando se tem alguém por perto cuja presença há tanto tempo se fazia desejada.
A emoção da realização é ainda maior quando o ente tão esperado é amado mesmo antes de ser conhecido. Maior que isso: é querido mesmo antes de existir; existe mesmo antes de nascer; nasce e cresce dentro de si antes mesmo de ter sido dado à luz. A mais pura forma do amor vital é aguardada ansiosamente mesmo sem antes ter partido.
Eis que é chegado. Não é regresso. Regressas são as noites de aflitiva expectativa, nauseantes sensações e insones pensamentos. Regressos são os temores que assolam toda e cada nova vida - depois de se terem dissipado pelo tenro instante em que tudo o que há é a grandiosidade do amor materno. Todas as outras coisas - preocupações, insatisfações e angústias - ficam à sombra de tal amor, beleza ofuscante de todas as mazelas que existem e hão de existir enquanto houver vida.
É a vida que chega. É a esperança de que o triste e vazio mundo pode ainda ser salvo. A salvação tem, obviamente, o rostinho do papai e o jeitinho da mamãe. É a vida que salva tantas outras vidas, multiplicando - com seus singelos e quase desapercebidos batimentos cardíacos - o fluxo sanguíneo nas veias de quem a ama. É a fonte de inspiração que faz viver as estruturas mais mortas de uma sociedade já descompassada e quase que completamente desfeita.
Eia, chegou o bebê! Indaguemo-nos deste e de todos os outros mistérios que hão entre a vida e a morte. Discutamos as responsabilidades de cada um - mas, principalmente, a nossa própria. Avivemos em nosso peito a gentileza, a generosidade e a ingenuidade que este novo ser nos inspira. Amemo-o sempre. Mesmo quando o esperado momento da chegada for um tempo remoto e indistinto.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Estratagema

Escreverei um livro. Em verdade, já comecei a escrevê-lo - desde o dia em que nasci. Não é uma merda de uma biografia. Que minha vida não vale ser narrada. Nem é qualquer outra coisa que se possa descrever em palavras quais não aquelas que suas páginas terão em manchas negras de toda uma vida.
Não sei qual será seu intuito, nem sua serventia. Nem mesmo sei se terá algum intuito ou alguma serventia. Há qualquer intuito na vida? Há qualquer serventia na vida? Se há, então hei de escrever um livro. Ele será grafado em linhas de femininas curvas - as mais belas! Suas vestes singelas e profanas farão erigir até o mais sagrado pênis. Em sua capa, haverão expostas todas as calcinhas que já vi e despi e, em seu interior, toda a excrescência que é resguardada por detrás de melindrosos tecidos.
Não vai haver sexo, não. Temo descomprazê-lo, meu querido ledor, mas não haverá putaria em minhas mais formais e físicas palavras. Elas serão o próprio sexo! Elas serão a própria putaria! O Marquês há de se revirar em seu túmulo, ao vislumbrar de outras - celestiais ou infernais - esferas o fogo vívido e pungente que arderá em minhas letras.
Não haverá frivolidades, apatias e dissabores - nenhum desses que me carcomem o espírito. Cada parágrafo será uma única e transcendente verdade vital, em que não há espaços para as desventuras da vida. A verdade é, por vezes, a própria desventura. Seu gênero não será romance. Não será ficção. Não será não-ficção. Não será classificável, perceba-se bem.
Não será inovador! De maneira alguma! Será retrógrado. Dotado de todo o ufanismo parnasiano e a pieguice de bucólicos - remotos - tempos. A própria imagem da nostalgia. Obviamente, deve-se presumir, não será nostálgico. Será romântico, sim. Ultra-romântico. Tal qual fui, sou e hei de ser até que me acabem por completo as pessoas, o mundo, a terra e seus micro-organismos decompositores.
Não escreverei entre suas letras tantos advérbios de negação. Eia, talvez haja neste parágrafo algum espectro de enganação ou falsidade. Mas a creia benévola, meu caro ledor! Será pelo bem do meu estilo iliterado e marginal - se é que há de ter estilo o autor de obra tão visceral. Meus próprios miolos, entranhas, excrementos e fluidos serão meu estilo em quando possuído pelo demônio da concepção prosaica.
Crer-me-ão insano, doente e fanático. Crer-me-ão. Querer-me-ão morto, crucifixado, empalado. Querer-me-ão. Exaltar-me-ão o silêncio, a deficiência e o celibato. Exaltar-me-ão.
Seu nome será Estratagema.

domingo, 3 de julho de 2011

Filósofos são a Escória da Filosofia

Não sou filósofo. Nunca estudei filosofia - além daquela que costumamos ver na escola e em nosso cotidiano. Mas, na verdade, orgulho-me disto. De não ser filósofo (graças a Jah!) e ainda poder refletir sobre os aspectos mais corriqueiros que hão na vida, no mundo e no resto de tudo que há.
O problema dos filósofos é, de modo simplificado, o mesmo de qualquer vão literato, acadêmico ou político - em suas versões pernósticas eruditas, se essas não forem suas formas naturais. A questão é que esses ignominiosos seres julgam-se superiores a qualquer reles mortal que não seja - maldita expressão - da área. Schopenhauer já escreveu suficientemente sobre os homens da área. Vá lê-lo ou tomar um banho ou dormir ou se foder ou foder sua esposa ou se masturbar. Acho, inclusive, que Schopenhauer é um crítico desgraçado e não um espírito superior, como o próprio se julga. Eu também não sou, de fato - o que pode fazer com que minha opinião a respeito do respeitado escritor (pra não dizer filósofo) não valha de nada.
Esses desprezíveis seres perdem a sua capacidade de análise à medida em que devoram descomedidamente as ideias e posições alheias - de maneira indecentemente estúpida. Prova disso é a "adesão" a uma determinada linha de raciocínio que acaba agrupando os dignos "pensadores" em torcidas organizadas escrotas - peço perdão ao pessoal do futebol pela analogia barata.
Se há uma filosofia que sigo - ou tento seguir - é a do KISS. Keep It Simple, Stupid! Se tantas ciências já julgam o ser humano como um ser racional e inteligente, por que diabos eu vou querer complicar tudo o que já é fato com alienações, banalidades e distinções medíocres? Portanto, vão escrever livros de história em vez de transformar toda uma ciência (que - há alguns séculos - já teve algum prestígio) em apenas um mecanismo de auto-ajuda. Ou vão procurar uma trouxa de roupa pra lavar. Ou vão se foder.

A Mulher Mais Linda da Cidade

A vantagem de ser feio é não despertar o fogo fátuo do amor impudico, efêmero e pérfido de quem gosta só pela superfície. Aliás, essa não é a única vantagem. Há sempre o fato de precisar compensar a falta de uma aparência amena e agradável aos outros - para sobreviver.
Quem gosta de um feio, há de gostar por razões menos voláteis que um rosto ou corpo bonito - que hão de se desfazer por qualquer deformação, além daquela que o tempo invariavelmente exerce sobre os humanos. Não desacredito o gostar autêntico baseado em belos rostos, peitos e bundas. Apenas exponho neste parágrafo a sua fugacidade inerente e perpétua - enquanto ele existir.
Não gosto da primeira pessoa - eia coesão textual! - nem na poesia, nem na prosa. Mas ela é necessária por vezes. Não é um culto à necessidade de exposição anônima - que eis um blog minimamente exposto. É simplesmente uma apatia natural e veemente, tal qual aquela que sinto ao me deparar pela primeira vez com pessoas aparentemente perfeitas. Agora, sim, é um culto ao ódio, à inveja, ao pecado e qualquer outra putrefação interior que alguém possa possuir - ou, pior, sentir.
Procurando manter a linha de raciocínio do parágrafo anterior, talvez eu desgoste de todas as outras pessoas também - não apenas da primeira. Por isso - declaro com ar literariamente egocêntrico - que é melhor usar a primeira que a segunda ou terceira.
Quando começar um novo parágrafo? Diabos. Isto está passando de instruções sobre comportamento humano a aula de redação. Já refleti outras vezes sobre minha decadência. É para isso que serve o Décadence Avec Élegance? Lá, há espaço para prosa, poesia, áudio, beleza, feiura, decrepitude e tantas outras coisas que se valem à pena de escrever.
Minha intenção não era, jamais, discorrer acerca da mulher mais linda da cidade - Petrolina, Recife ou Nova Iorque. Agora, um pouco de metainformação. Pretendia, em verdade, enaltecer a feiura. Feiura, feiura, feiura. Palavra feia. Fealdade! A mim soa melhor, e a ti? Isto é, a minha. E de outros feios que parecem ser bonitos. O título foi roubado de Bukowski - como a maior parte de tudo neste blog. Um dos mais belos feios que já existiu. O negócio é que, procurando na internet alguma referência sobre o texto do defunto, encontrei uma crítica dolorosamente superficial e uma crítica à crítica ainda mais doída. Então, perdi o espírito da coisa.
É o meu intuito, também - expandindo o parágrafo anterior -, não linkar porra de página nenhuma aos textos cá escritos. Será necessária alguma explicação ou motivo? Hiperlinks são a escória da Internet. Obviamente, não cheguei a cogitar fazer qualquer ligação entre este menosprezível blog a qualquer outro que tenha publicado uma crítica. Críticas são a escória da literatura. Este texto maldito não é uma crítica. Eu não sou um crítico. Eu não sou um filósofo. Filósofos são a escória da filosofia.
Estão aí três bons temas para as próximas publicações: hiperlinks, críticas e filósofos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Café Monologado

O dia começa, mais uma vez, vagaroso. Com sua corriqueira e irrepreensível melancolia dos campos arcádicos d'outrora. Começo, com ele, em minha vã e inspirada filosofia - cuscuz, café, banho e escola. Um pouco de acordes. Em meio à sonoridade dos pássaros - de quando em quando perturbadas pelos ruidosos motores - não são demais as melodiosas harmonias clássicas.
Sinto-me um perjurador por ter, assim, escritas essas palavras: por entre a manhã sagrada dos deuses divinos e as notas sagradas dos deuses mortais - que já morreram. Sensação infiel, torpe e banal. Aparta-te de mim, escrava dos outros homens. Esta mente jaz em paz com um café solúvel mal acabado e algumas dilacerações que se esvaem em meus próprios pensamentos.
O tempo urge. Já não o há. Devo correr, devo ir, devo andar. Devo. Deverei. Pagarei fiado à conta do próximo expediente. Adeus, meu amor de amor tardio.

domingo, 19 de junho de 2011

Às Letras, O Meu Pesar

Começo a me achar modesto, desprezível, desnatural. Co'estas linhas ruborizadas que a mim me apontam meus erros mas não me querem dizer o que de fato expresso por suas vias. Diz-me, Machado, palavras belíssimas - que em todo tempo soube, mas há muito jaziam esquecidas em meu infecundo cerebelo.
Horas a fio em frente a uma máquina. Eia! Produção em linha, diriam-me os industriários. Produção em massa, que digam os massificadores de toda a nação. Produção nenhuma. 'Inda que haja em todo tempo a leitura, a escrita, o sibilar das incansáveis teclas e o macular das infinitas e soberbas tintas virtuais. Mesmo que não se percam o estímulo, o amor, o caráter excitatório das perfidiosas palavras alheias. De toda maneira, perde-se o prumo. Perdem-se a coesão e a coerência textual - embebidas no rubor que os mosquitos me tomam.
Grande invenção! - proferiram os grandes saberes. A poluição mental mais prolixa e vigente que haja não se compara à ociosidade que tal maravilha nos trás à tona. Intitular-me-ão ignóbil, aviltador e oprobrioso. Dizer-me-ão falso, néscio e beócio. Insultem-me e m'aborreçam todos os ânimos. Não há mais o que fazer c'os que já hão aqui.
Hei de acrescentar ao menos um parágrafo de desculpas. Senão toda uma extensão de palavras, sequer ao menos uma frase que se valha para me atenuar as culpas e as mágoas por tê-las escrito até aqui. Queira-me desculpar, caro ledor, não são mais meus impulsos nervosos a digerir e regurgitar tão insones letras. É a demora das horas que se dá quando a noite chega e as mais profiláticas desculpas já não servem para exaurir as impurezas de uma mente absorta.

sábado, 18 de junho de 2011

Apenas Mais uma Crítica Barata ao Capitalismo

Alegria de postar aqui novamente. É tanto que dedico um parágrafo inteirinho só pra contá-la. Escrevendo essas palavras que precederam o primeiro ponto deste solilóquio, abateu-me a impressão de como a palavra postar é bonita e como ela vem sendo amplamente utilizada ultimamente - graça aos nossos contemporâneos meios de publicação e propagação da informação. Procure no dicionário. É bonita mesmo.
Ontem foi um dia de cão. Afirmo isso com certo receio por que muitas vezes me pergunto se os cães viralatas gostam da vida que têm, se são felizes, se se preocupam com dinheiro, dívidas e outros perrengues. Precisava abrir uma conta. Fui ao banco do Brasil. Duas vezes. Meus óculos quebraram-se - perdeu-se uma perna metálica. Apelei: entrei, molhado de chuva, em outros bancos.
O banco do Brasil não é dos brasileiros. Não sei de quem é, na verdade. Mas se fosse deixar de escrever para mim mesmo por conta de não saber se o que escrevo é verdade ou não, todas estas palavras acabariam por não manchar os intermitentes pixels dos monitores que exibem este blog. Possivelmente, o BB é de quem é dono do Brasil e os brasileiros não se podem dar ao luxo de contar com seus solícitos serviços. Mas podem dar lucro, à vontade.
Porra. Que literatura decadente. Há algum tempo - mais que um ano -, escrevi sobre essas benditas instituições bancárias mas sob um aspecto bem mais aprazível - peitos e bundas. Hoje, escrevo como alguém que chora o leite derramado do peito da mãe que, negligente, não presta atenção ao bebê faminto em seu colo. Decadente, desprezível, infame, torpe. Deveria estar postando no Décadence - sem perigar descreditar meus colegas publicadores, que há tempos não publicam algo lá.
Melhor parar por aqui. Antes que o tempo me convença que foi um erro ter começado.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Diabos me Mordam (ou diabinhas gostosas)

Diabos! Quantos séculos sem postar algo completamente inútil aqui? Há mais tempo do que eu gostaria, quiçá. O motivo não é que eu não tenha motivos. É que eu não tenho tempo também (SIC, miserável). Entenda bem, meu fã, entre estudo, projetos e as malditas conversas que se insistem em travar por aí mundo afora, ainda tenho que arranjar tempo pra cagar, me divertir e me masturbar. Aliás, talvez não tenha tempo de arranjar tempo pra me divertir. Mas masturbação e defecação podem ser divertidas.
Lembrei-me de Bukowski, agora há pouco. Velho puto safado. Morreu antes que eu tivesse a chance de ir encher seu saco, à porta de sua casa. Ou eu é que nasci tarde demais, vai saber. O negócio é que eu acho que nasci e, por isso, dou-me o direito de escrever essas palavras em sua homenagem. É isso. Um parágrafo sobre Buk? Basta? Não, né? Pulando para o próximo parágrafo...
Não sei o que vim fazer nessa porra de mundo. Fico imaginando... talvez eu morra sem descobrir - quantas pessoas já não fizeram isso? Ou pior, quantas pessoas já não morreram pensando que tinham vindo ao planeta Terra para comer a Madonna, a Xuxa, jogar frescoball, ser feliz ou qualquer outra tolice dessas? O ponto confortante da história é que elas morreram. Mas há mais dessas por aí - agora, começo a ficar assustado de verdade. Bem, outro ponto positivo é que eu estou aqui escrevinhando essas bobagens a respeito do que é que eu vim fazer nessa merda de mundo e declarar que eu não sei, de fato. Isso já é legal. Puta merda, escrever faz um bem arretado. Sem querer ser melhor que ninguém.
Prova disso é que acho que estou ficando meio retardado. Ou completamente retardado. Desse tipo de retardado que acha que a maioria das pessoas ao seu derredor é mais retardada que ele. Algum tipo de retardamento crônico e há anos incubado. É! Quando eu era moleque era esperto de verdade. Vivia tão na minha quanto sempre, mas escrevia umas coisas muito divertidas.
Só o fato de não saber por que é que estou aqui talvez já seja suficiente para demonstrar o meu nível de retardamento mental. Mas, pensando melhor, muitas consideradas grandes mentes já escreveram poemas, prosas ou letras de música em que se indagavam do sentido da vida. É claro que há a possibilidade de terem sido mentes retardadas. Talvez seja possível ser retardado e esperto ao mesmo tempo. Esperto mesmo. Esperto desse tipo de espertos filho da puta, que sacaneia a própria mãe. Há dois dias foi dia das mães.
Diacho! Já reparou quantos talvezes há em qualquer um dos meus textos? Será mais um sinal? Vejamos... o que isto quer dizer? Quer dizer que eu não tenho certeza. Tudo bem: ter certeza é preciso mas não é preciso ter certeza. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Não entendeu? Leia de novo. Se você pudesse compilar e executar um programa de computador, facilitaria muito minha pseudo-carreira de escritor.
Enfim, se você continuou sem entender, talvez você também seja um retardado. Ou talvez só esteja precisando de umas aulas de português. Se você for tesuda, posso lhe dar. Se você me der de volta, claro. Canalhice, hem? Não faz mal. Sexo faz bem. Se você não for tesuda, posso lhe dar de graça. Se você for homem, se dane. Não notou que o único objetivo dessas palavras é foder bocetas? Brincadeira. Há quem diga que o único objetivo de tudo no mundo é foder bocetas, para os homens. Para as mulheres deve ser ter um pinto entre as pernas ou ganhar dinheiro. Não sei. Não sou antropólogo. Perdoem-me as mulheres. Perdoem-me os antropólogos. Perdoem-me os pintos. Perdoe-me o dinheiro. Perdoem-me as bocetas. Perdoe-me o mundo. No final das contas, aquela parte do "não entendeu, lê novamente" foi engraçada. Escrever faz um bem arretado.
É isso aí. Eis a lição de hoje, amiguinho: escrever faz um bem arretado. Se você gostou, aprenda com dedicação, esforço, esmero e afinco. Se você não gostou, tente meter o dedo no cu e cheirar. Gostou? Pois é.
É brincadeira, viu? Eu estou em sã consciência. Estou bem e estou completamente bêbado. Portanto, é tudo brincadeira. E este parágrafo tem somente inverdades.