domingo, 19 de junho de 2011

Às Letras, O Meu Pesar

Começo a me achar modesto, desprezível, desnatural. Co'estas linhas ruborizadas que a mim me apontam meus erros mas não me querem dizer o que de fato expresso por suas vias. Diz-me, Machado, palavras belíssimas - que em todo tempo soube, mas há muito jaziam esquecidas em meu infecundo cerebelo.
Horas a fio em frente a uma máquina. Eia! Produção em linha, diriam-me os industriários. Produção em massa, que digam os massificadores de toda a nação. Produção nenhuma. 'Inda que haja em todo tempo a leitura, a escrita, o sibilar das incansáveis teclas e o macular das infinitas e soberbas tintas virtuais. Mesmo que não se percam o estímulo, o amor, o caráter excitatório das perfidiosas palavras alheias. De toda maneira, perde-se o prumo. Perdem-se a coesão e a coerência textual - embebidas no rubor que os mosquitos me tomam.
Grande invenção! - proferiram os grandes saberes. A poluição mental mais prolixa e vigente que haja não se compara à ociosidade que tal maravilha nos trás à tona. Intitular-me-ão ignóbil, aviltador e oprobrioso. Dizer-me-ão falso, néscio e beócio. Insultem-me e m'aborreçam todos os ânimos. Não há mais o que fazer c'os que já hão aqui.
Hei de acrescentar ao menos um parágrafo de desculpas. Senão toda uma extensão de palavras, sequer ao menos uma frase que se valha para me atenuar as culpas e as mágoas por tê-las escrito até aqui. Queira-me desculpar, caro ledor, não são mais meus impulsos nervosos a digerir e regurgitar tão insones letras. É a demora das horas que se dá quando a noite chega e as mais profiláticas desculpas já não servem para exaurir as impurezas de uma mente absorta.