terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Intitule você, cara!

O mundo está cheio de gente estranha, bicho. E a maioria dos estranhos, são tão estranhos que vivem fingindo serem normais. E querendo dizer que os outros são mais estranhos que eles mesmos.
Hitler achava todos os outros que não fossem estranhos como ele, estranhos demais para habitarem o planeta. A guerra do Oriente Médio, mesmo, é causada por um monte de causas que ninguém sabe qual é a causa ao certo - pelo menos eu não. Ou melhor, não sabia. É isso! Um grande grupo acha que o outro grande grupo é estranho e ambos são tão estranhos que querem matar uns aos outros. E matar os estado-unidenses, é claro, pois esses acham-nos estranhos.
Há aqueles caras que fodem cinco vezes em menos de 24 horas. E só não fodem mais por não terem mais forças suficientes. Enquanto há outros que não fodem tanto quanto querem ou nunca foderam por falta de oportunidade ou sejá lá o que for - há vários motivos para se não foder, só não é necessário citar o porquê de foder.
Há também aqueles freezers estranhos. Estranhos demais, com seus inúmeros compartimentos onde se colocam latas, garrafas, comida, sorvete, etc. Eu poderia até tentar fazer uma comparação entre eles e os humanos, mas não sou tão bom escritor assim, ainda não.
É! Esses caras que pensam que um dia vão escrever algo que se preze - repetindo tantas vezes a mesma palavra em um só parágrafo: estranho, foda, etc. Ou os outros que pensam que vão ser "alguém na vida". Mal sabem que não passarão de estranhos. Apenas estranhos. Entre outro monte de estranhos.

Urban Chaos

- Bom dia, eu poderia lhe fazer uma amostra do mais novo lançamento da perfumaria?
- Quê?
- Bom dia, eu poderia lhe fazer uma amostra do mais novo lançamento da perfumaria?
- ... Pode. Você decorou bem o comercial.
Pega meu pulso, dá uma borrifada e leva meu braço em direção ao nariz, para que eu cheire. Eu obedeço:
- Humm... é! É... cheiroso. É masculino ou feminino?
- É masculino, tá de cinqüenta e nove e noventa - resposta, entre sorrisos indecisos e delicados.
- E você, está usando qual? Não posso ter uma amostra?
- ... - cede-se o cangote a um exalar luxurioso.
- Você tem de terminar esse frasco enorme para poder sair do serviço? - realmente, o frasco do perfume era grande. Acho que o de R$60,00 deveria ser metade daquele de amostras.
- Não. Talvez. Acho que não consigo terminar antes do meio-dia.
- Eu também não. Quero dizer, você pode borrifá-lo todinho em mim, se quiser. Mas... essa outra moça aí é sua supervisora, não é?
- É. E eu nem posso ficar assim conversando. Passa por aqui mais tarde?
- Tá bom. Obrigado.
E eu passo. Pelo outro lado da rua, mas passo.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Quanto à Prorrogação da CPMF

Explicito que o intuito desses rascunhos é, não explicar, debater e buscar soluções ou justificativa sequer, mas sim confundir a mente de todos que repousam sobre tais letras o mascarado olhar do hipócrita que busca a verdade. Creio eu que, neste tópico, não precisarei usar de todas as minhas artimanhas de persuasão, sempre indefectíveis. Sendo mais um que buscava a verdade na emissora do Senado da República Brasileira, só encontrou, o meu olhar hipócrita, confusões, ladainhas e perturbações à minha mente sã.
Bem, a mim, como leigo - no que se trata de política - que sou, não caberia entender de cara tudo que se passava diante daquele batalhão de senadores descompassados e com histerismos capazes de tirar o sono de qualquer cidadão que se preze. Tão pouco compreender que, ainda a base aliada ganhando por uma diferença de uns seis ou sete pontos, seriam precisos quarenta e nove votos para aprovar o inquérito sobre a prorrogação do imposto.
Imposto esse que, como todo o resto do país, não sai do provisoriamente emergente, periférico ou central, firmando-se à posição de "tributo provisoriamente não prorrogado". Para confirmar a esdrúxula nomenclatura, estão as palavras do prezado - por alguns - senador Arthur Virgílio (não escreverei senador com "S" maiúsculo n'uma época em que se discutem as citações de um Deus minúsculo): O governo é que vai decidir se achar que pode [negociar]. Se quiser, vamos discutir a redução da carga tributária sobre a folha de pagamento, a aplicação de um redutor nos gastos públicos, a redução da alíquota [da CPMF] e a destinação de recursos para a saúde. Não negocio se me insultar. Se o presidente não ficar com piadinha, seremos parceiros para buscar uma saída para o país.
Piadinha do presidente a mim mais parece uma das músicas mais presentes no repertório das politicagens baratas. Entretanto, o que a mim também parece piada é o fato de o sujeito derrubar uma árvore e, logo em seguida, querer enxertar a mesma no rabo de todos os brasileiros que respiraram mais aliviados após a "sessão-votação" da câmara do senado. Mais que piada, parece-me apelo por popularidade e uma boa imagem diante à opinião pública, coisa que sempre penso ao ver os ternos flutuantes de cabeças pensantes no canal 12 - se canal 12 em seu receptor for TV DO GADO, é mera coincidência, eu quem programou os canais no meu televisor.
Hoje, na creche que fica próximo à minha casa, havia dois operários serrando uma palmeira imensa que, por causa do seu tamanho, não podia ser derrubada sem causar dano às edificações ao redor ou à alguma criança que ali se encontrasse desamparada. Ao perceber o cessar do barulho da serradeira elétrica, olho pela janela e vejo a máquina plantada no topo da árvore morta, o andaime montado e os trabalhadores certamente com suas bóias frias. Deviam mesmo querer matar algumas criancinhas. É isso que fazem os políticos da nossa nação: cortam os pepinos sobre as nossas cabeças, fatia a fatia - como n'uma pizza -, para não o derrubar inteiro sobre nós. E, n'um cessar da estrondosa calamidade pública na qual nos encontramos, há, no topo dessa grande palmeira que chamam República Democrática, uma foice pronta a nos degolar o mais vívido suspiro e clamor por dignidade e liberdade.
Perdoem-me qualquer consternação.

Mais do Mesmo

Há, em tudo na vida, um talvez sim.
Talvez, se o o banco estivesse alguns centímetros mais distante da porta lateral, não houvesse ocorrido tal fatalidade. Houvesse um orifício por onde saísse todo aquele gás venenoso, estivessem todos vivos, talvez. Se não cansar aos olhos esse emaranhado de esses, talvez queira - meu modesto leitor - avançar ao próximo parágrafo.
Exista, talvez - é claro -, um ser superior sobre todos os outros seres. E, se não existir, qual a diferença entre respirar o raro e gélido oxigênio das montanhas mais altas ou o nosso fútil e árido ar do Nordeste? Respiramos, bebemos, comemos e morremos - não obstante a um ser que nos reja os suprimentos.
Entretanto, no entanto, é irrefutável a necessidade de um suprimento aquém de todos os outros citados anteriormente: o poder além da vida. O poder de crer no que quiser. Pode-se chamar de asas da imaginação, liberdade, libertinagem, traição mental. Pode-se, até, se chamar de fé. Mas não remetamos a princípios de ordem religiosa.
Não queiram, as vis mentes que assolam o infértil solo do escrever - debilmente - humano, combater pungentemente as palavras de um ser que não fala nada a mais, senão tudo em que crê, ou que o finge - como podem ler os senhores - convincentemente.
Pode ser até que algum de vocês entenda o que eu digo, talvez sim. Talvez não.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Sobre o Blog

Levando em conta que são publicadas, na primeira página do blog, sempre duas postagens, creio que posso postar duas vezes diárias sem prejuízo quanto à visualização do conteúdo, no que diz respeito à periodicidade das publicações.
Aproveito para elucidar algumas questões sobre o surgimento desse novo blog. Primeiramente, o título, que fique explícito, - pouco pensado - se deve ao fato de não querer me responsabilizar por qualquer falácia ou verborréia aqui publicadas. Há muito procuro um espaço onde pudesse publicar os meus rascunhos diários - ou não - e, tendo algumas desavenças com o método do WordPress - ineficiência de minha parte, mesmo - decidi abrir um novo espaço no blogspot, onde há maior facilidades de acesso e comunicação. Em seguida, há a necessidade de construir um espaço livre onde se possa expor opiniões sobre governo, antropologia barata e todas as demais questões possíveis em forma de prosa, aquiescendo ao Décadence a serenidade maldita do estilo em verso.
Finalmente, espero que a prorrogação da CPMF seja um fracasso, mesmo prorrogada ou não.

A Notável Estética do Amor Cotidiano

Ando meio em controvérsias quanto aos relacionamentos humanos, não amorosos, que fique bem claro. Se bem que a frase prescinde da explicação: relacionamentos humanos e relacionamentos amorosos são coisas distintas. Analisemos o lado mais cognitivo das relações.
De modo a observar todos os aspectos da convivência humana, desde aqueles encontrões em praça pública e entreolhares preconceituosos, à camaradagem - ou não - entre patrões e empregados, nota-se que há sempre um lado que se julga superior ao outro. Ao pender da balança, não se pesam conhecimento, cultura, amabilidade, honra ou outras virtudes quaisquer. Há apenas o peso que se faz da mais alta voz, do mais corpulento ser e da mais habilidosa lábia, que constituem a politicagem vagabunda e corriqueira do nosso cotidiano.
Politicagem na qual não há democracia que se valha! Um lado, mais cedo ou mais tarde, acaba por se definhar às amarguras de ser lesado, passado para trás, humilhado ou, às vezes, apenas convencido de que se deve deixar passar pelo lado menos pungente da balança.
Falando, agora, sobre lesar, humilhar e passar para trás, lembro-me de relatar um fato ocorrido no decorrente ano. Sucedeu-se que, ao discorrer com um operário de telemarketing, falei o que tinha de falar e tudo que eu não queria ouvir de um ser menos bocudo ou corpulento que eu. Na batalha, onde a balança só pendia para o meu lado, acabei por proferir algumas digressões (creio que, se meu prezado leitor teve força de vontade suficiente para ler todas essas palavras até essa vírgula, não terá problema em lançar mão do dicionário para inquirir o significado da expressão que antecede esse "abre parênteses") que poderiam - de maneira ou de outra - acabar por ofender o outro lado. No mais findar do meu discurso, declarei ser menor de idade e o operador, ciente do peso de sua maioridade, resignou-se ao posto de receber o lauro da vitória.
Poderia eu, com toda minha atitude preponderante, levar aqueles monólogos agressivos e infrutíferos mais adiante. Poderia usar de argumentos menos lisonjeiros. Poderia - e foi o que fiz - abster-me ao cargo de maior dignidade. Bem declaro não saber qual o lado de maior dignidade, senão o meu.
Entretanto, o que eu posso decerto - creio eu - é confundir vossas mentes alheias aos pesares desumanos dos humanos, não se tratando de relacionamentos amorosos, fique bem claro. O amor na prática é sempre ao contrário.