segunda-feira, 20 de junho de 2011

Café Monologado

O dia começa, mais uma vez, vagaroso. Com sua corriqueira e irrepreensível melancolia dos campos arcádicos d'outrora. Começo, com ele, em minha vã e inspirada filosofia - cuscuz, café, banho e escola. Um pouco de acordes. Em meio à sonoridade dos pássaros - de quando em quando perturbadas pelos ruidosos motores - não são demais as melodiosas harmonias clássicas.
Sinto-me um perjurador por ter, assim, escritas essas palavras: por entre a manhã sagrada dos deuses divinos e as notas sagradas dos deuses mortais - que já morreram. Sensação infiel, torpe e banal. Aparta-te de mim, escrava dos outros homens. Esta mente jaz em paz com um café solúvel mal acabado e algumas dilacerações que se esvaem em meus próprios pensamentos.
O tempo urge. Já não o há. Devo correr, devo ir, devo andar. Devo. Deverei. Pagarei fiado à conta do próximo expediente. Adeus, meu amor de amor tardio.

domingo, 19 de junho de 2011

Às Letras, O Meu Pesar

Começo a me achar modesto, desprezível, desnatural. Co'estas linhas ruborizadas que a mim me apontam meus erros mas não me querem dizer o que de fato expresso por suas vias. Diz-me, Machado, palavras belíssimas - que em todo tempo soube, mas há muito jaziam esquecidas em meu infecundo cerebelo.
Horas a fio em frente a uma máquina. Eia! Produção em linha, diriam-me os industriários. Produção em massa, que digam os massificadores de toda a nação. Produção nenhuma. 'Inda que haja em todo tempo a leitura, a escrita, o sibilar das incansáveis teclas e o macular das infinitas e soberbas tintas virtuais. Mesmo que não se percam o estímulo, o amor, o caráter excitatório das perfidiosas palavras alheias. De toda maneira, perde-se o prumo. Perdem-se a coesão e a coerência textual - embebidas no rubor que os mosquitos me tomam.
Grande invenção! - proferiram os grandes saberes. A poluição mental mais prolixa e vigente que haja não se compara à ociosidade que tal maravilha nos trás à tona. Intitular-me-ão ignóbil, aviltador e oprobrioso. Dizer-me-ão falso, néscio e beócio. Insultem-me e m'aborreçam todos os ânimos. Não há mais o que fazer c'os que já hão aqui.
Hei de acrescentar ao menos um parágrafo de desculpas. Senão toda uma extensão de palavras, sequer ao menos uma frase que se valha para me atenuar as culpas e as mágoas por tê-las escrito até aqui. Queira-me desculpar, caro ledor, não são mais meus impulsos nervosos a digerir e regurgitar tão insones letras. É a demora das horas que se dá quando a noite chega e as mais profiláticas desculpas já não servem para exaurir as impurezas de uma mente absorta.

sábado, 18 de junho de 2011

Apenas Mais uma Crítica Barata ao Capitalismo

Alegria de postar aqui novamente. É tanto que dedico um parágrafo inteirinho só pra contá-la. Escrevendo essas palavras que precederam o primeiro ponto deste solilóquio, abateu-me a impressão de como a palavra postar é bonita e como ela vem sendo amplamente utilizada ultimamente - graça aos nossos contemporâneos meios de publicação e propagação da informação. Procure no dicionário. É bonita mesmo.
Ontem foi um dia de cão. Afirmo isso com certo receio por que muitas vezes me pergunto se os cães viralatas gostam da vida que têm, se são felizes, se se preocupam com dinheiro, dívidas e outros perrengues. Precisava abrir uma conta. Fui ao banco do Brasil. Duas vezes. Meus óculos quebraram-se - perdeu-se uma perna metálica. Apelei: entrei, molhado de chuva, em outros bancos.
O banco do Brasil não é dos brasileiros. Não sei de quem é, na verdade. Mas se fosse deixar de escrever para mim mesmo por conta de não saber se o que escrevo é verdade ou não, todas estas palavras acabariam por não manchar os intermitentes pixels dos monitores que exibem este blog. Possivelmente, o BB é de quem é dono do Brasil e os brasileiros não se podem dar ao luxo de contar com seus solícitos serviços. Mas podem dar lucro, à vontade.
Porra. Que literatura decadente. Há algum tempo - mais que um ano -, escrevi sobre essas benditas instituições bancárias mas sob um aspecto bem mais aprazível - peitos e bundas. Hoje, escrevo como alguém que chora o leite derramado do peito da mãe que, negligente, não presta atenção ao bebê faminto em seu colo. Decadente, desprezível, infame, torpe. Deveria estar postando no Décadence - sem perigar descreditar meus colegas publicadores, que há tempos não publicam algo lá.
Melhor parar por aqui. Antes que o tempo me convença que foi um erro ter começado.