O dia começa, mais uma vez, vagaroso. Com sua corriqueira e irrepreensível melancolia dos campos arcádicos d'outrora. Começo, com ele, em minha vã e inspirada filosofia - cuscuz, café, banho e escola. Um pouco de acordes. Em meio à sonoridade dos pássaros - de quando em quando perturbadas pelos ruidosos motores - não são demais as melodiosas harmonias clássicas.
Sinto-me um perjurador por ter, assim, escritas essas palavras: por entre a manhã sagrada dos deuses divinos e as notas sagradas dos deuses mortais - que já morreram. Sensação infiel, torpe e banal. Aparta-te de mim, escrava dos outros homens. Esta mente jaz em paz com um café solúvel mal acabado e algumas dilacerações que se esvaem em meus próprios pensamentos.
O tempo urge. Já não o há. Devo correr, devo ir, devo andar. Devo. Deverei. Pagarei fiado à conta do próximo expediente. Adeus, meu amor de amor tardio.