domingo, 3 de julho de 2011

A Mulher Mais Linda da Cidade

A vantagem de ser feio é não despertar o fogo fátuo do amor impudico, efêmero e pérfido de quem gosta só pela superfície. Aliás, essa não é a única vantagem. Há sempre o fato de precisar compensar a falta de uma aparência amena e agradável aos outros - para sobreviver.
Quem gosta de um feio, há de gostar por razões menos voláteis que um rosto ou corpo bonito - que hão de se desfazer por qualquer deformação, além daquela que o tempo invariavelmente exerce sobre os humanos. Não desacredito o gostar autêntico baseado em belos rostos, peitos e bundas. Apenas exponho neste parágrafo a sua fugacidade inerente e perpétua - enquanto ele existir.
Não gosto da primeira pessoa - eia coesão textual! - nem na poesia, nem na prosa. Mas ela é necessária por vezes. Não é um culto à necessidade de exposição anônima - que eis um blog minimamente exposto. É simplesmente uma apatia natural e veemente, tal qual aquela que sinto ao me deparar pela primeira vez com pessoas aparentemente perfeitas. Agora, sim, é um culto ao ódio, à inveja, ao pecado e qualquer outra putrefação interior que alguém possa possuir - ou, pior, sentir.
Procurando manter a linha de raciocínio do parágrafo anterior, talvez eu desgoste de todas as outras pessoas também - não apenas da primeira. Por isso - declaro com ar literariamente egocêntrico - que é melhor usar a primeira que a segunda ou terceira.
Quando começar um novo parágrafo? Diabos. Isto está passando de instruções sobre comportamento humano a aula de redação. Já refleti outras vezes sobre minha decadência. É para isso que serve o Décadence Avec Élegance? Lá, há espaço para prosa, poesia, áudio, beleza, feiura, decrepitude e tantas outras coisas que se valem à pena de escrever.
Minha intenção não era, jamais, discorrer acerca da mulher mais linda da cidade - Petrolina, Recife ou Nova Iorque. Agora, um pouco de metainformação. Pretendia, em verdade, enaltecer a feiura. Feiura, feiura, feiura. Palavra feia. Fealdade! A mim soa melhor, e a ti? Isto é, a minha. E de outros feios que parecem ser bonitos. O título foi roubado de Bukowski - como a maior parte de tudo neste blog. Um dos mais belos feios que já existiu. O negócio é que, procurando na internet alguma referência sobre o texto do defunto, encontrei uma crítica dolorosamente superficial e uma crítica à crítica ainda mais doída. Então, perdi o espírito da coisa.
É o meu intuito, também - expandindo o parágrafo anterior -, não linkar porra de página nenhuma aos textos cá escritos. Será necessária alguma explicação ou motivo? Hiperlinks são a escória da Internet. Obviamente, não cheguei a cogitar fazer qualquer ligação entre este menosprezível blog a qualquer outro que tenha publicado uma crítica. Críticas são a escória da literatura. Este texto maldito não é uma crítica. Eu não sou um crítico. Eu não sou um filósofo. Filósofos são a escória da filosofia.
Estão aí três bons temas para as próximas publicações: hiperlinks, críticas e filósofos.