terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Feliz Ano Novo!

Avisa mãe que eu vou sentir falta. Falta e saudades, as quais já sinto e as quais não parecia sentir. Amanhã posso tá de volta ou posso tá indo 'inda embora, se me demorar tanto nessa nota de descomprometimento. Avisa também que descomprometer - expressão feia! - não é com ela, não. É com os outros, mas não com ela. É com todo o mundo e o mundo todo, menos ela.
Desavisa vizinho, parente e enteado todas aquelas minhas notinhas pechinchas de coleguismo barato. Que o porquê que fiz eu não sei mas o porquê de não o fazer sempre esteve comigo, só faltei me explicar. E para não precisar prosear sobre minhas explicações preferi assim fazer: filosofar essas hipocondríacas hipocrisias para me ver livre da cena.
Diz que é um ano novo mas eu continuo sempre o mesmo - pensando que ano que vem, que é o que já veio, tudo melhora. E assim todo ano, entra-e-sai, não mudo eu nem essa orgia que é ficar contando repetidos trezentos e sessenta e cinco dias. Tá bom que quando em quando é seis, mas que é um dia a mais ou dia menos se até esse que aparece e some feito mágica é igual, todo ano.
Desiluda a todos quanto às minhas ilusórias notas de tranqüilidade e otimismo para o futuro. Tá tudo acabando, pior que não vai mudar nada. Vai ficar e viver tudo acabando e vocês vão se acabar de viver e nada ficando.