quarta-feira, 24 de março de 2010

Por que nunca escrevi "fuder o cu do gato"

  1. Adoro a palavra foder. Tá bem que, de vez em quando, alguém pode se enganar e trocar a grafia de uma palavra por outra. Escrever besteira, porcaria, zorra. Dar uma de néscio, beócio, recalcitrante do português. Mas não eu. Muito menos com uma palavra tão bela e semanticamente aprazível quanto foder! 
  2. Jamais utilizaria um artigo definido antecedendo o substantivo cu (ou cú, como acho que realmente escrevi em declarações anteriores - datadas do ano de 2007). Não sei se sou divinamente agraciado em saber disso mas o uso de artigo definido antes de nomes próprios reflete uma certa intimidade entre quem emite a mensagem e o objeto do qual se fala/escreve. Sendo "cu" um objeto tão íntimo, julgo-o quase um nome próprio. Portanto, não faria uso do "o" antes do cu - exceto se fosse um que eu já tivesse experimentado e feito isso com certa... digamos... competência sexual.
  3. Não há um terceiro motivo. Poderia repetir o segundo e renovar os meus vãos conhecimentos sobre a língua portuguesa mas prefiro interpelar para uma justificativa semântica da frase como um topo - quase uma apelação sentimental ou emotiva, que seja. 
A minha infeliz citação fazia referência a um texto do falecido Bukowski - tinha que ter alguma coisa com esse velho tarado. Foder cu de gato é o mesmo que fazer política. Não irei copiá-lo ou transcrevê-lo nessas singelas linhas que perfazem esse injustificável blog. Mas só digo que nada entendo de política. Assim sendo, Charles me convenceu facilmente com argumentos palpáveis de que política é mesmo uma arte dessas. Para mim, foi mais convincente que Platão em "A República". É isso. Chega de justificativas que não hão de ser aceitas, justificáveis ou ao menos lidas.
Adios.

terça-feira, 23 de março de 2010

Eis que já é noite

E a melancolia de sempre está, de volta, à tona. Não faz mal. O dia amanhece sempre mais claro, verde e receptivo - principalmente se chuvoso. Estive a ler - numa dessas horas de descontração anal - trechos de um livro de Sabino. Remontava às estórias escritas por Machado, que em muito me apetecem. Uma em especial: a tragédia Capituniana, que nunca li mas talvez saiba melhor que se, de fato, houvesse lido. O português às vezes (raramente, pra ser mais específico) é feio. Claro que não digo que não prefiro as portuguesas. Deve ser culpa da noite, com essa maresia que tem me trazido ultimamente.
Falava de um princípio de história de amor: uma loura, um funcionário, uma atração - UMA atração: unidirecional. O funcionário que, certamente, babara as certas coxas. Torneadas e pigmentadas daquele tom nauseabundo de pele leitoso. Com quadris e peitos impregnados em olhar tão humilde e subserviente: um funcionário de redação de jornal.
Nunca li muitas obras de Sabino - não quis escrever que não havia apreciado sua obra. Peguei uns livros por engano, trazendo-os entre os poucos que hão aqui comigo. São, em bem da verdade, antiga posse familiar: há em suas contra-capas rabiscos indicando o dono e a série do dono. Meu irmão, primeira série; minha irmã, segunda série; e vieram parar aqui, comigo, em Recife, pleno primeiro período do curso de computação. Quiçá façam a diferença na hora em que estou a realizar as minhas necessidades fisiológicas, como as julgam certos falantes.
Claro que sou adepto da obra machadiana. E ainda assim não digo que lí-la inteira. Mas cada palavra que li de Memórias Póstumas me ensinou uma lição. Lições importantes ao decorrer àquela época. Lições que hoje tenho por completo em esquecimento. Que me valeriam muito se ainda as soubesse hoje.
Trouxe na mala outras coisas sem sentido: roupas, cuecas, livros e um porta-retrato vazio. Vazio: sem retrato. Posso ainda substantivar de porta-retrato? Creio que sim, já que o texto é meu. Mas assim era que estava - sem nenhuma serventia e ainda assim bonito, ansioso por imagem de alguém. A ansiedade é um prato que se satisfaz já frio. Nos come e devora cada segundo de nossa vã impaciência.
Mas as memórias póstumas, não. Não as trouxe comigo, não.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Apartamento, violão e companhia

Lavar a louça até que é bom. A gente pensa um bocado quando se está lavando a louça. Mas não o bastante - acho que pensar nunca é uma tarefa suficientemente realizada. E ainda mais hoje com essa história de big brother: as pessoas estão pensando cada vez menos e vivendo cada vez mais a vida dos outros (outros que, 100 em 100, pensam bem menos que seus espectadores). Fico matutando com minhas bobinas... pode ser que futilidade, burrice e invalidez mental sejam requisitos básicos para entrar em uma casa de reality show como esse anteriormente - infelizmente - citado.
Geralmente nessas horas - quando começo a falar, ou pior, escrever tanta merda - começo a lembrar do Bukowski. Coitado, já não está mais aqui para se defender dos meus pensamentos. Ninguém nunca conseguirá enganar os outros como esse cara enganou. Ele foi um gênio. Maluf tentou, Collor tentou, Lula está tentando e Dilma pode até tentar. Mas será em vão: a arte de ludibriar as mentes alheias parece ser dom dos escritores... e esse tal de Bukowski então. Reli o início do parágrafo e quis reescrevê-lo: ainda bem que jaz morto morrido o dito findo, jazido e finado Charles. Não está mais aqui para ler essas baboseiras que escrevo sobre ele - e, vendo que o misturo entre os nossos queridos políticos no mesmo parágrafo, bem capaz de querer uma retaliação através das letras.
O que será que escreveria? Me identifiquei uma vez com um trecho de seu texto em que dizia mais ou menos o seguinte: "esses escritores são uns caras realmente perigosos. Principalmente os que escrevem sobre paz e amor." Hahahaha. Genial, não é? Não que eu seja um pacifista mas o amor, meu caro, não me sai da ponta do dedo um só instante.
Sim, comecei uma frase com um pronome oblíquo: sou universitário e já me dou a certos luxos. É mesmo: da última vez que postei algo nesse blog, ainda não tinha... argh! Já faz tão tempo que não o atualizo. Já fiz tantas coisas desde então, já deixei de fazer milhares de outras. Mas deixo para escrever das coisas que não faço, pois parecem bem mais interessantes - quiçá uma maneira de me auto-realizar. Escrever também sobre a vida nova, que está cada dia ficando mais velha, deixando a barba crescer e talvez também os pentelhos e falar sobre o amor que é de praxe e atender ao título do blog e mencionar sempre o velho Buk e tentar respeitá-lo um pouco mais em sua cova e cometer pleonasmo e fazer isso quase de uma maneira redundante e a ponto de quase me tornar um criminoso. É isso só.