Ando meio em controvérsias quanto aos relacionamentos humanos, não amorosos, que fique bem claro. Se bem que a frase prescinde da explicação: relacionamentos humanos e relacionamentos amorosos são coisas distintas. Analisemos o lado mais cognitivo das relações.
De modo a observar todos os aspectos da convivência humana, desde aqueles encontrões em praça pública e entreolhares preconceituosos, à camaradagem - ou não - entre patrões e empregados, nota-se que há sempre um lado que se julga superior ao outro. Ao pender da balança, não se pesam conhecimento, cultura, amabilidade, honra ou outras virtudes quaisquer. Há apenas o peso que se faz da mais alta voz, do mais corpulento ser e da mais habilidosa lábia, que constituem a politicagem vagabunda e corriqueira do nosso cotidiano.
Politicagem na qual não há democracia que se valha! Um lado, mais cedo ou mais tarde, acaba por se definhar às amarguras de ser lesado, passado para trás, humilhado ou, às vezes, apenas convencido de que se deve deixar passar pelo lado menos pungente da balança.
Falando, agora, sobre lesar, humilhar e passar para trás, lembro-me de relatar um fato ocorrido no decorrente ano. Sucedeu-se que, ao discorrer com um operário de telemarketing, falei o que tinha de falar e tudo que eu não queria ouvir de um ser menos bocudo ou corpulento que eu. Na batalha, onde a balança só pendia para o meu lado, acabei por proferir algumas digressões (creio que, se meu prezado leitor teve força de vontade suficiente para ler todas essas palavras até essa vírgula, não terá problema em lançar mão do dicionário para inquirir o significado da expressão que antecede esse "abre parênteses") que poderiam - de maneira ou de outra - acabar por ofender o outro lado. No mais findar do meu discurso, declarei ser menor de idade e o operador, ciente do peso de sua maioridade, resignou-se ao posto de receber o lauro da vitória.
Poderia eu, com toda minha atitude preponderante, levar aqueles monólogos agressivos e infrutíferos mais adiante. Poderia usar de argumentos menos lisonjeiros. Poderia - e foi o que fiz - abster-me ao cargo de maior dignidade. Bem declaro não saber qual o lado de maior dignidade, senão o meu.
Entretanto, o que eu posso decerto - creio eu - é confundir vossas mentes alheias aos pesares desumanos dos humanos, não se tratando de relacionamentos amorosos, fique bem claro. O amor na prática é sempre ao contrário.
Poderia eu, com toda minha atitude preponderante, levar aqueles monólogos agressivos e infrutíferos mais adiante. Poderia usar de argumentos menos lisonjeiros. Poderia - e foi o que fiz - abster-me ao cargo de maior dignidade. Bem declaro não saber qual o lado de maior dignidade, senão o meu.
Entretanto, o que eu posso decerto - creio eu - é confundir vossas mentes alheias aos pesares desumanos dos humanos, não se tratando de relacionamentos amorosos, fique bem claro. O amor na prática é sempre ao contrário.