Estive pensando em sexo. O que é algo muito comum e corriqueiro. Mas não do jeito libidinoso de sempre e sim com uma perspectiva mais solidária. Estive pensando em opressão - ou repressão. Do próprio direito de existir. Do direito de existir dos outros. O que inclui, claramente, a propriedade da exequibilidade do sexo. Estive pensando nos casais daqui, da casa onde moro. Transando sem poder fazer barulho.
Do mesmo jeito quando eu toco meu violão. Não podemos fazer aquele amor ruidoso - geralmente muito melhor e mais aprazível que o silencioso. Temos que ir devagarinho, a baixo volume, quase calados. A cama, então, nem um único pio! Que se não podemos acordar as paredes, os móveis e as almas que vagam por aí tristonhas - sem querer saber de gemido algum.
Estive pensando que somos todos um bando de filhos de puta. Mas não da mesma puta. Não digo isso de um ponto de vista religioso, não. Somos filhos da puta demais pra ajudar uns aos outros. O negócio é que sempre estamos precisando de ajuda. Mas não nos ajudamos.
Meu cachorro vai pra carrocinha. Mas não é por querer, não. Talvez seja por conta do meu parágrafo anterior. Morto, incinerado, sabão. Não importa muito. Foi o melhor cachorro que já tive. Vai-se assim, desse jeito triste, sem saber o porquê. Sem jamais me ver de novo. Talvez nem lembre, nem se importe. Talvez até goste de não mais existir. Eu me importo.
O mundo é triste e a vida é uma merda sem sentido. Cagada pelos deuses ou por qualquer cagalhão explosivo, que se dane. Continua sem sentido. Não há um intelectual mais fodido do mundo que seja capaz de dar um sentido à vida. Não há um religioso dono da fé mais fodida do mundo que seja capaz de dar um sentido à vida. A fé, a ciência, a razão, a ignorância. Vivem brigando. Que diabos de diferença isto faz? Somos todos um bando de filhos da puta que não enxerga além de nossas próprias vontades, desejos e interesses mesmo. Que se danem o mundo e a vida.
Andar demais, correr demais, trepar demais. É tudo demais ou de menos.