No sistema capitalista de fodelância desigualitária, a honestidade é uma virtude concedida apenas àqueles que não dispõem de dinheiro ou meios suficientes para se corromper. Essa primeira frase não é nada. Apenas algo que eu tinha em mente desde ontem à noite e precisava registrar em algum lugar, antes que isso fodesse de vez com minha mente.
Sabe, cara, eu amo meu texto. E, de uma maneira ou de outra, eu tenho que buscar um meio de lhe agradar. Não importa o que tenha de fazer: passar a noite em claro, foder mil bocetas, insurgir-me contra o capitalismo - o que quer que seja.
Acontece que eu não sou um exemplo a se seguir. E muitas pessoas - mesmo! - não seguem meu bom senso literário. Elas simplesmente não têm piedade de suas letras descompassadas e imundas que tracejam seus sentimentos mais vãos e inertes - ou inanes (que é a mesma coisa que vãos, que é a mesma coisa que inertes, que se dane). Consequentemente, ferem cruelmente a complacência de quem - teimosamente - insiste em ler alguma coisa - com a última e fugaz esperança de gozar um único "a" ou um último ponto final.
Não dá, cara, não dá. Essa última gotícula de esperança é tão inútil quanto qualquer outra. Os escritores de 140 caracteres nos decepcionam mais que nossos cachorros quando não obedecem a um comando de deitar ou sentar ou dar a pata ou morder o carteiro. É triste. Ainda estou deprimido com a perda (perda, filha da puta! PERDA) do meu último cachorro. Mas hoje reservei meus olhares (e os poupei) das ignomínias e perfídias das redes sociais formadoras de débeis mentais. Tô vivo.
Escuta só (ou leia, se preferir): o meu texto não precisa sentir o fedor da merda que caguei hoje à tarde. Não mesmo. Ele não quer saber se estou triste ou se empolgado com a próxima noite, o próximo dia, a nova amizade. Para o inferno todas essas insignificâncias. O meu texto quer sexo, quer prazer, quer ver as vulvas por debaixo de todas as saias do mundo, quer debochar da tristeza mais banal e insignificante, quer se prostituir nos cabarés mais longínquos e quer dar um pé na bunda mais gostosa que houver neste bundo.
Tudo bem que você erre pra caralho e as garotas teimosas errem pra caralho e que todo mundo erre pra caralho na hora da grafia que não precisa ser nem formal nem completamente coerente nem carece de vírgulas nem de pontos nem de acentuação gráfica nem de professores de português frustrados por não conseguir ser barman ou gigolô nem de professoras frustradas por não conseguirem vender algo além do seu conhecimento patético sobre as regras gramaticais e por virem de uma família humilde e honesta de prostitutas gostosas isto tudo por que eu erro pra caralho também e tenho consciência de meus erros até aqui pode ficar muito certo disso seu crítico cretino mas... PORRA!
Você poderia ter um pouquinho de piedade do seu texto. Pensar nele só um pouco. Ver o pinto do seu namorado, duro, enquanto tenta pensar em algo pra escrever. Sabe? Deslizar esses dedinhos digitadores epilépticos por entre os grandes lábios e arranjar um pouco de inspiração. Desenrolar uma ideia que talvez possa melhorar o mundo ou até mesmo salvá-lo do abandono, do descaso e da crueldade humana. Piscar o seu buraquinho que jaz escondido por entre as suas nádegas e tentar transmitir a sensação através de palavras não é necessariamente uma boa ideia. Mas é melhor - muito melhor! - do que essa porra toda que você tem feito durante toda a sua vida, desde que se alfabetizou, até agora.
Maldição. Peguei um negócio de meter umas exclamações no meio de uns hífenes. Há, moleque! O plural de hífen é hífenes. Sabia dessa? Eu não sabia. Pois é. Talvez isso sirva de alguma coisa, se você não entendeu nada até esta parte do texto - a não ser meus palavrões e minha vontade incontestável de te enrabar.
Algo que me tem incentivado a escrever é a desmotivação. Tenho procurado escrever muito em tudo que tenho escrito - tirando os trabalhos escolares, claro. Muito! Tanto ao ponto de desmotivar qualquer um que ouse ler algo que eu escreva. Não que isso torne meus textos mais completos, complexos ou algo diferente da mesma merda de sempre. Mas uma coisa é certa e garantida por essa prolixidade: se você leu tudo - tudinho, baby - e conseguiu descobrir o SEGREDO por entre essas palavras disléxicas, meus parabéns. Pode se considerar menos são que muita dessa gente que vive contaminando o nosso universo.