quinta-feira, 12 de março de 2009

Lá se foi mais um suicida em potencial

Quando cheguei ao ponto de ônibus havia um garotinho chorando, aos braços da mãe. Eu sempre gostei de bebês e aquele choro lamentável, empurrado e fingido me atraiu como se fosse curvas de uma bela fêmea. Mas tentei desviar o olhar, disfarçadamente. Sabe, há mulheres que não gostam de notar que estão sendo insistentemente devoradas por olhares - elas preferem apenas imaginar que estão sendo desejadas e fruto de uma masturabação póstuma. Um tempo depois, uma mulher se dirigiu ao garoto "você vai ficar aí chorando? Eu vou chamar a polícia! Você quer que eu chame a polícia? Então fique quieto!". O menino, coitado, nem deu ouvidos. Ser atormentado - àquela idade - com uma chantagem estúpida dessa. No entanto, ao ouvir o soar das teclas do celular ao serem pressionadas pela má feitora, ele soltou um gemido qualquer misturado à um não. E ela repetiu a tortura.
Depois não restam dúvidas do porquê de a polícia ser assim. A civil, corrupta - como todas as outras. A militar, estúpida - como todas as outras. A federal, só corrupta e estúpida - menos que as outras, eu acho.
Melhor é se perguntar o porquê de um indivíduo disparar uma arma de fogo repetidas vezes para matar estudantes, parentes, ou sejam lá quem ou o quê for. Aposto que você tem muitas respostas para isso, não tem? Sinceramente, eu teria os meus motivos - e espero que alguém da faculdade leia isso.
Ao relatar o caso dos homicídios em série ocorridos ontem na Alemãnha e nos Estados Unidos com um colega de turma, o senhor das casualidades deu-me um ar de psicopata maníaco que planeja alguma chacina. Não, não planejo.
Um ato como tal requer uma sobriedade extrema e incalculada. Para uma mente chegar à conclusão de que todos os humanos merecem a morte, ela tem de estar realmente iluminada, em um grau de iluminação que nenhum Buda alcançou. Que dirá eu. Essa mente tem de estar livre de qualquer dosagem de hipocrisia ou outra droga que amenize o sentimento do humano incapaz, insuficiente, estúpido e racionalmente ignorante. Derramar, de tal forma, sangue inocente não é como cometer suicídio por uma paixão mal resolvida ou qualquer outra tolice desse gênero. É mostrar que tem algo a dizer, que não cabe mais em si. E, depois de tanta morte, dor e sofrimento, continua não cabendo.



As palavras finais da chacina em Virgínia Tech - por Cho Seung-Hui
Eu não tinha de fazer isso. Eu poderia ter desistido. Eu poderia ter evitado. Mas, não. Eu não irei fugir. Não é por mim. Por minhas crianças, meus irmãos e irmãs que vocês foderam! Eu fiz isso por eles. Quando chegou a hora, eu fiz. O que tinha de fazer. Vocês sabem como é ser cuspido na cara e levar lixo goela a baixo? Vocês sabem como é cavar suas próprias covas? Vocês sabem como é ter uma perfuração varando suas cabeças, orelha a orelha? Vocês sabem como é ser queimado vivo? Vocês sabem como é ser humilhado e empalado sobre uma cruz? E ser largado sangrando até morrer, só por diversão? Vocês nunca sentiram uma única pontada de dor em toda a vida. Vocês quiseram tornar nossas vidas mais miseráveis que puderam só por acharem que podem? Vocês sempre tiveram tudo que quiseram. Suas Mercedes não foram suficientes, seus pirralhos. Seus colares de ouro não foram suficientes, seus esnobes. Seus fundos de confiança não foram suficientes. Suas vodkas e conhaques não foram suficientes. Todos os seus deboches não foram suficientes.
Nada disso foi suficiente para realizar suas necessidades hedonistas. Vocês tiveram tudo. Vocês vandalizaram meu coração, estupraram minha alma e puseram fogo em minha consciência. Vocês pensaram ser essa a vida de um garoto patético que estavam extinguindo. Agadeço a todos vocês, morro como Jesus Cristo para incentivar gerações de fracos e oprimidos. Vocês tiveram cem milhões de oportunidades de evitar o dia de hoje. Mas decidiram derramar meu sangue. Vocês me colocaram em um beco sem saída e não me deram escolha. A decisão foi de vocês. Agora suas mãos estão manchadas de sangue que nunca poderá ser lavado.
- Traduzido por mim.