domingo, 15 de março de 2009

A branquinha de olhos de fogo

Ao querido Buck,
que gostava de ver as calcinhas da vizinha.

Mente insana, bota fogo nessa coisa que essa coisa é palha! E isso é plágio. Não meu, não seu, mas é. Aliás, o que não seria exatamente uma cópia do que já visto ou ouvido? O que não se olvida. E há em minha mente boas lembraças de uma noite alucinante!
Havia uma garota, um garoto, álcool e música. E quais seios eram aqueles. Transcender às barreiras da mente, eis o objetivo de algo. Deixar-se levar pela música, pelo sentido, pelo instinto. Todos nós precisamos de algo para sanar as dores d'alma. A dor original não é um pecado, nem crime, nem condenação. É o que há. E há também o prazer. O prazer entoado e trovado pelos escritos malditos, benditos esses.
E ao expelir daqueles pulmões - de belo busto - uma fumaça branca e angelical, meus olhos novamente grelavam sobre sua superfície mais indecente, quase completamente desnuda. Seus quadris tão oblíquos e quase imperceptíveis ao meu devaneio sexual, apressavam-se em rebolar ao meu desencontro. Soavam como uma dança da chuva, implorando-me para chover sobre eles o meu líquido sagrado - vitalício naquele ventre. Não tinha olhos, não tinha boca, nem nariz. Apenas uma expressão malignamente safada ao rosto. E cruelmente tentadora. Eu, naquele momento, explodia em prazer para dentro de todo o meu interior etílico. Qual sensação! Você deveria experimentar. E a garota sentiu isso. E o garoto também. E eu senti muito mais. Mais que os dois em uma polixa foda.
Depois de uma boa noite, um mau dia. Quando há dia. Não quando se há o velho e bom Chico ao pé do ouvido e cinquenta gramas de palavras. Lidas, tocadas, sentidas, cheiradas e tragadas. As palavras não são vício de apenas um sentido, são a droga completa de tudo que se precise. Se remediar é preciso, ler é preciso. Escrever não é preciso. 'Inda mais tão torto e tão sóbrio.
Porém 'inda é melhor sofrer em dó menor do que você sofrer calado.