Outro dia algum filho da puta desses terráqueos que habitam este planeta de planta, água, terra e merda, criticou a minha poesia como uma mistureba de palavras sem sentido que não tinham que ver com nada e não diziam nada a quem quer que lesse aquilo. Na verdade, acho que ele não foi assim tão veemente e suas palavras não foram tão sinceras quanto as minhas. Ele haveria de se esforçar muito para alcançar tal nível de desespero textual. Mas, só de ter citado seu comentário e algumas das palavras que ali havia (dentre elas, "mistureba" realmente foi uma bem excitante), já é possível depreender o quão satisfeito eu fiquei com aquela crítica. O que me aborreceu, apenas, foi o fato de o indivíduo ter publicado as palavras de forma anônima, como se com medo de que eu o matasse ou algo pior - o chamasse de filho da puta, algo assim. Certamente, não me deve conhecer bem. E ter medo de ser xingado dessa maneira é a prova mais contundente de que não se tem certeza da idoneidade moral e probidade vaginal da própria mãe.
A poesia não foi feita pra ter sentido. Talvez, seja feita para dar sentido a alguma coisa. A existência de quem escreve aquilo. Ou a vontade de se entregar que alguém que lê possa sentir. Os próprios sentimentos não tem sentido algum. Veja só que esses dias me deparei com uma frase medíocre que ditava algo do tipo "quem tem sentido é soldado". Ou era quem faz sentido é soldado? Nem a própria porra da frase faz sentido algum. A vida não tem sentido, oras. Esses dias ouvi alguém dizer, também, que ao tempo da grande guerra sobreviveram ao campo de concentração aquelas pessoas que achavam algum sentido em suas vidas. Imagino que no campo de concentração isso não seja tão difícil. Só de estar ali, já há uma missão a cumprir. Os que não a encontravam eram, certamente, escritores ou poetas ou suicidas em potencial. Sempre gostei dessa expressão. As pessoas nunca entendem do potencial que temos.
Engraçado como as reminiscências têm saltado da minha cabeça ultimamente. Saltado para o mundo, para existirem, quero dizer. Não que as tenha esquecido por completo. Talvez seja fruto de uma pancada que levei esses dias. Que pode ter mexido também com outras partes do meu cérebro. Tentei achar alguma parte que eu não gostaria que fosse afetada, mas não encontrei. Entre tais lembranças, estava este comentário inútil que muito me alimentou o ego. O anonimato no ato da crítica é coisa do mais acovardado, desonesto, indigno e maltrapilho tipo de ser humano que possa existir, como já ditava Schopenhauer. Se é que existe ser humano que não seja desse tipo. O negócio é que o grande filósofo, que jaza eternamente em sono eterno, defendia que esse tipo deveria ser exposto, extinto, puxado pelas orelhas e desmascarado em frente a todos, como o ser ignóbil que de fato é.
Eu discordo. Sou um zero à esquerda, uma faísca atrasada, uma agulha perdida num agulheiro, mas tenho uma cabeça (que dói), dedos, teclado e banda larga. E discordo desta porra. Acho que esta raça deve se proliferar, foder muito com as mais elegantes, gostosas e estúpidas mulheres e perpetuarem esta espécie nesse mundo de satã. Este tipo de gente não tem condições mentais de ter pensamento próprio e acaba reformulando os pensamentos alheios, espalhando a ira de todas as dores de cotovelo através dessas palavras cobertas por uma camada espessa e impenetrável da mais pura inveja. E vê no anonimato uma forma mais aceitável de se conter à própria insignificância ao se deitar, ao tentar dormir. E conseguem adormecer tranquilamente, diga-se de passagem. E eu cá, nesta desgraça, repetindo todos os meus "e" que forem possíveis em toda e cada frase que vejo em minha frente.
Mas ao menos assino o que escrevo. E assino com o nome que tenho. Com o nome que meu avô me fez parecer o mais insultado e injustiçado do mundo, quando esqueceram de grafar o último nome no certificado de conclusão do ensino médio. Hahahaha. Deixa disso, Matheus. Falemos de críticas, anonimatos, anônimos, descarados e outros tipos de filhos da puta. Mas deixemos a família de lado. Falemos da seção de comentários deste blog, que não existe. Não existe por que não quero. Não faria diferença mesmo. Precisando comentar anonimamente, dirija-se ao quarto 11 da casa de nº421 da rua Mauricea (ou Mauriceia? Para mim, bom seria Mauricéia) do bairro Iputinga, Engenho do Meio, Cidade Universitária ou o caralho de asa que for - e que seja.
Por que diabos é que sempre quando eu escrevo blog a auto-correção do blogger detecta como se fosse uma palavra escrita erroneamente? Engraçado... blogger tá certo, que soa ainda mais estranho. E soa tá errado. É de foder. Foder tá certo. Não importa o que diga a auto-correção. Blog me faz lembrar de prostitutas, que usam esse termo para denotar esquema, trabalho, programa, ué. Você deve saber mais que eu. E parece ser uma palavra tão comum, nestes nossos meios de escritores, web designers e prostitutas. Não deveria estar errada.
Não mesmo.